Daniel Cormier será o próximo campeão do UFC. Saiba o porquê

O americano Daniel Cormier mostrou no último dia 24 de maio, durante o UFC 173, que tem capacidade para ser o próximo campeão dos meio-pesados (93 kg) da maior organização de MMA do mundo. Ele venceu o veterano Dan Henderson. Mas não da maneira que muita gente esperava. Em vez de decisão ou nocaute, Cormier teve o braço levantado após finalizar Hendo com um mata-leão no 3º round.

A vitória sobre Henderson fez com que muita gente o credenciasse para a disputa do cinturão até 93 kg diante de Jon Jones. O campeão deve, antes, encarar o sueco Alexander Gustafsson, na revanche do primeiro duelo entre eles, vencido por Jones nos pontos em setembro de 2013.

Independemente de quem terá pela frente, seja Jones ou Gustafsson, Cormier tem armas para dar conta do recado. O americano de 35 anos tem, muito possivelmente, o melhor wrestling de todo o UFC. Ele já competiu nos Jogos Olímpicos na modalidade e foi capitão da Seleção Americana.

Jones e Gustafsson são bons de wrestling, mas não tanto quanto Cormier. Diante de Henderson, outro bom wrestler, a capacidade técnica de DC ficou evidente. Hendo pareceu um boneco. Em um momento da luta, Cormier ergueu o veterano completamente do chão e o quedou como quis.

Se o wrestling é a praia de Cormier, a luta agarrada também é. Embora a maior parte das vitórias venha por nocautes, Cormier sabe travar oponentes e se vira bem no jiu-jitsu – que o diga o mata-leão em Dan Henderson.

Ele não tem o nível de Jon Jones no solo (o campeão já dizimou faixas pretas na arte suave como Vitor Belfort e Lyoto Machida, além de gente como Quinton Jackson e Ryan Bader com leque variado de finalizações), mas há meios para evitar. Com o wrestling afiado, as quedas em posições vantajosas podem deixar Cormier em pé de igualdade. Fora a evolução no submission que certamente acontecerá. Gustafsson também é bom de jiu-jitsu, mas as armas de Cormier podem ser aplicadas também contra o europeu.

Em pé a coisa poderia ficar feia para o desafiante. Ele é o mais baixo do trio (1,80m, contra 1,94m de Jones e 1,96m de Gustafsson), o que lhe dá incrível desvantagem na envergadura. Ou seja: Cormier precisa se mover bastante para não ficar no raio de ação dos “gigantes”. E tamanho para ele não é documento. Com trocação afiadísima, mandou gente como Antonio Pezão (1,95m) e Patrick Cummings (1,88m) para a vala com relativa facilidade. Lembrando que Cormier lutou a maior parte da carreira entre pesos-pesados, via de regra mais altos que os meio-pesados.

Além de tudo isso, há a confiança. DC não sabe o que é perder no MMA. Ele venceu todas as 15 lutas que disputou. E, na maior parte, não precisou dos juízes. Foram seis nocautes e quatro vitórias por submissão. Todas as decisões dos jurados foram unânimes.

Jones e Gustafsson conhecem o sabor amargo da derrota. E acredito que sentiriam novamente caso trombassem de frente com Cormier.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.