Novo estilo de Felipão será como Bossa Nova na seleção

Copa

A Bossa Nova nos mostrou uma musica elaborada nos acordes. Melodias trabalhadas por gente inspirada comoTom Jobim, Baden Powel, Oscar Castro Neves e por aí vai. Fez a vida ficar melhor.

Hoje a gente se encontra com o Funk da molecada. Ostentação. Não é música, mas quer ser.

No futebol também é assim. Times encantam os olhos e o coração como os de 70 e 82. O de 70 foi campeão, o outro não. Estão gravados na mente de quem gosta de bola. Nossa vida ficou melhor com esses times.

E tem as seleções que venceram, mas que ninguém sabe escalar como a do Parreira em 94. Time campeão, mas sem charme, sem côr.

A maneira de tratar uma melodia, de trabalhar os acordes e ter um final feliz é a mesma de um cozinheiro criativo e bom de tempêro. Comida boa e cheirosa. Um time de futebol, uma seleção segue o mesmo caminho.

Você precisa de um treinador competente e criativo, que tenha bom astral e seja trabalhador. Que escolha seus jogadores como quem vai fazer um cozido, ou uma feijoada. Tem que saber escolher os pertences. Felipão é esse cara. Quando ele foi campeão da Copa do Brasil eu estive com ele muitas vezes. Era piadista, alegre. Agressivo em se tratando de dirigir um time. Jeitão de vencedor. Depois ele mudou um pouco o perfil. Ficou mais durão. Mas eu penso que apenas externamente, para a convivência com os jornalistas. O circuito fechado de pessoas que trabalham com ele tem responsabilidade nessa imagem que se criou. Imagem que só fez mal a ele. Venceu em 2002, mas com gôsto azêdo.

Esta semana, na Granja Comary, onde a seleção treina aconteceu algo que ainda não sabemos. Ele voltou a ser o que era e o que eu acho, sempre foi. Botou pra fora o Felipão de antigamente. Está criativo nas respostas e próximo dos jornalistas. Sorridente. Apareceu abraçando fraternalmente seus jogadores. Imagem limpa.

Se Felipão se mantiver assim, vai trazer todos com ele. Jogadores, os jornalistas e o povo do país. Vai inovar, vai ser Bossa Nova. Bom de ouvir e se emocionar. Isso faz a vida ficar melhor.



Luiz Ceará é formado em Jornalismo pela PUCC-Campinas. Iniciou a carreira na Radio Cultura de Campinas e depois EPTV, filiada à Rede Globo. Trabalhou na TV Globo - SP, SBT, TV Século 21, TV Bandeirantes e RedeTV!, onde é repórter e comentarista. Participou da cobertura de 4 Copas de 3 Olimpíadas.