A enciclopédica classificação da Argélia

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Poucas vezes vi uma seleção que nem a Argélia, fazer da alegria uma alegoria pra deixar o outro lado quase que como um espectador do seu desfile de felicidade…”um presente das arábias”, que foi capaz de colocar na mesma confraternização Maomé e Momo…da fé muçulmana ao samba no pé brasileiro…diante dos russos, o futebol e o festejo dos argelinos estampou mesmo a toalha que forra essa farra desse saboroso banquete de culturas da Copa do Mundo…

…nas cadeiras numeradas do estádio da Arena da Baixada, em Curitiba, tinha um punhado de caras com as cores da bandeira…gente fantasiada de tudo quanto era jeito…beijos, abraços e embaraços de sobra…nervos a flor da pele e sorrisos em pétalas de flores…uma mistura sem mistérios…uma miscelânea profética, eclética e de uma dialética universal…qualquer um de nós tinha vontade de fazer parte de uma festa daquele porte…

… e, lá embaixo, naquele incrível segundo tempo, os atletas da Argélia pareciam passar na avenida…sem receio de bolha nos dedos, com a receita da sorte dos dados…

…é nessas horas que a gente se toca que a “redonda” tem um toque de tamborim…a bola rebola a cada repique…requebra com o requinte daquela mulata que milita na área…qualquer um fica babando e o improvável vira babado…e dos fortes, pra guardar na memória…

…Os representantes do norte da África empataram numa heroica e harmônica cabeçada do camisa 13 Slimani, aos 14 minutos…pelas redes uma merecida comemoração sem rédeas…um registro pra história…é mais um daqueles gols enciclopédicos…pela primeira vez, a Argélia se classificou para as oitavas de final e eliminou os anfitriões do próximo Mundial, em 2018.

…são as listras das zebras e os lustres que iluminam essa maravilha que é a nossa Copa…

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Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente é professor do Departamento de Televisão e Rádio da mesma faculdade.