A importância de uma Copa para craques periféricos, como Suárez

Getty Images

Ao sair de casa, sempre dou uma parada nas bancas de jornais para ler as manchetes do dia. É um hábito adquirido de criança, ainda na era pré-internet. A grande rede está presente quase 100% do meu tempo mas não naquele momento. Ali, me deparando com jornalões ou periódicos engraçadinhos, para todas as classes, etnias e gostos, tenho mais ou menos a tônica do que está acontecendo e de como repercute alguma notícia. Fico sabendo o que aqueles sem um acesso amplo à internet estão sendo orientados a achar.

E foi assim que hoje, dia seguinte da heroica vitória celeste sobre os ingleses, Luizito Suárez me mostrou a importância de uma Copa do Mundo. Dois rapazes, parados euforicamente, lendo as manchetes que exaltavam o herói uruguaio. Então, quando um deles solta um “Como joga esse tal de Suárez!” – naquele típico diálogo que só quem para numa banca pra ler as manchetes conhece – eu percebi o quanto é necessário um torneio que mostre ao planeta jogadores como ele.

Pra quem acompanha de perto os campeonatos europeus, não havia novidade ali. O atacante do Liverpool fez temporada melhor que a de Messi e talvez até melhor que a de Cristiano Ronaldo. Quem vê os jogos da Premier League, meus preferidos, sabe que Luis Suárez é capaz de levar o Uruguai longe. É aquele típico caso de jogador que só não faz chover. Ou até faz chover.

Por falta de oportunidade ou de vontade, poucas pessoas acompanham futebol europeu de perto.

Suárez saiu adolescente do Nacional do Uruguai para a Holanda. Se destacou no campeonato holandês, de pouca visibilidade. Mas o suficiente pra atrair a atenção do Liverpool. O time da terra dos Beatles tem uma história rica mas, atualmente, está muito atrás de outros como Real Madrid e Barcelona , ou mesmo Chelsea e os Manchesters. Luisito não é argentino ou brasileiro. Não faz comercial da Adidas, Nike, Coca-Cola ou Pepsi.

Getty Images
Getty Images

 

Ou seja, apesar de atuar nos melhores campeonatos, Suárez é um craque da periferia. Corresponde, em livre comparação, a periferia de uma metrópole: rica em comparação com o interior, pobre se a referência for o centro.

E a Copa do Mundo é a oportunidade para craques periféricos como Suárez mostrarem a toda gente a raça, a paixão e o bom futebol aliados em um mesmo momento. E que, principalmente, não se faz Copa do Mundo só com Messi e Cristiano Ronaldo.

El Pistolero já havia entrado na história das Copas naquele formidável lance de 2010. Agora, tem a chance de escrever seu nome como craque do ludopédio. Para isso, tem um time aguerrido e aplicado e um companheiro de ataque tão eficaz quanto, Cavani.

O Uruguai vai na raça pra cima da Itália tentar a vaga para as oitavas. E o mundo todo vai ter mais uma oportunidade de ver Suárez.

Por Caio Bellandi, originalmente no blog http://www.lanceactivo.com.br/resenhadosfocas



Carioca, bacharel em Direito e bacharelando em Jornalismo pela FACHA. Não escolheu o jornalismo mas foi escolhido por ele. Sonho profissional: casar com a editoria de esporte e ser amante das páginas de política. Resumidamente, um cronista do cotidiano, comentarista do dia-a-dia e palpiteiro da rotina.