Conheça a origem de Cara de Sapato, campeão do TUF Brasil 3

Dono de um dos apelidos mais curiosos do MMA, Antônio Carlos Júnior, o “Cara de Sapato”, estreou no UFC mostrando um belo cartão de visitas. Em sua quarta luta profissional, venceu Vitor Miranda e se tornou o campeão dos pesos pesados (até 120 kg) do reality show “The Ultimate Fighter Brasil 3”. O combate aconteceu no dia 31 de maio, em São Paulo.

E que combate. Cara de Sapato venceu por decisão unânime, mas não deu brechas para Vitor Miranda, tanto no solo quanto na luta em pé. Além do ganhar o TUF e o contrato com o UFC, o paraibano de 24 mostrou que é um lutador completo que tem potencial para dar trabalho na divisão dos pesados.

A praia de Antônio Carlos é o chão. Além do passeio sobre Miranda na estreia de ambos no octógono, Cara de Sapato tem pedigree no jiu-jitsu, onde é faixa preta. Além de diversos títulos brasileiros, ele foi campeão mundial ainda na faixa marrom, em 2010 – venceu no peso e no absoluto. Já como preta, conquistou o Campeonato Pan-Americano no absoluto, em 2012. E, no MMA, suas três primeiras vitórias vieram por finalizações.

Ele não se limita à arte suave. Em pé, Antônio mostrou talento, a ponto de fazer frente com Vitor, um conhecido lutador de muay thai, com passagens por outros eventos de MMA e pelo K-1 (maior evento de luta em pé no mundo).

Mas de onde surgiu Cara de Sapato? Paraibano de João Pessoa, Antônio é radicado em Salvador. Lá, treina com gente como Junior Cigano, ex-campeão dos pesos pesados do UFC e de quem já foi sparring, e tem como técnico Luiz Dórea (responsável por afiar o boxe de gente como o próprio Cigano, Rodrigo Minotauro, Anderson Silva, entre outros).  O apelido, diga-se, é em função do queixo grande.

Quando criança, era hiperativo e, antes de se encontrar nao jiu-jitsu, experimentou vários esportes: judo, taekwondo, futebol, hipismo e natação, onde chegou a se destacar. Mas, além da hiperatividade, outra característica do campeão do TUF salta aos olhos: ele desenvolveu síndrome do pânico quando criança. O problema se agravou em 2011, quando seu primeiro professor de jiu-jitsu foi assassinado em João Pessoa.

A ascensão dentro do MMA foi rápida. Ele é profissional há apenas um ano. A primeira luta aconteceu em julho do ano passado, no Nordeste MMA 1. Ele finalizou Celivaldo da Silva e inaugurou a contagem do cartel, até agora, imaculado. Em setembro, finalizou Geronimo Oliveira com uma chave de braço no Imperium MMA Pro 6. Em outubro, foi a vez de  Ednaldo Novaes sucumbir ao triângulo de braço do paraibano, que até então, só havia lutado na Bahia.

No TUF, ele se destacou com vitórias tanto por nocaute quanto por finalização. E, contra Vitor Miranda, se consagrou. Bom em todas as valências do jogo, tem tudo para ir longe no UFC.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.