Opinião: Empate com sabor de vitória mexicana não é novidade

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Não, foi surpresa. O México era um time rápido e foi assim que ele jogou no primeiro tempo. Marcou, jogou duro, fez muitas faltas e saiu sempre com perigo. O Brasil quase fez com Neymar e com Paulinho. Quase não fosse o goleiro Ochoa. Foi um sofrimento não pela falta de conhecimento da maneira como a seleção mexicana veio, mas pela incapacidade de nossa seleção de neutralizar o jogo dos mexicanos.E tem mais uma: Fred não jogou porque não sobrou uma, nem uma bolinha na medida. Fred viu o time jogar, só isso.

Ramires tomou um amarelo e facilitou a mudança de Felipão. Ele veio para o segundo tempo com um time mais rápido com Bernard. Mas com os mesmos defeitos. Time sem criatividade, sem talento e sem a marcação cerrada, dura, apertada, necessária para diminuir a vontade dos mexicanos. Eles estavam à vontade, chutavam à vontade.

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A imensa torcida de Fortaleza estava com razão, decepcionada. Eu também.

Aos 20 o Brasil acordou. Pressionou, tomou conta do jogo, mas faltava. O México, visivelmente queria o empate.

Cadê o Neymar? Na sala aqui da minha casa era a pergunta que meu filho e meu neto me faziam. Eu não respondi. Não via Neymar no jogo, mas sabia que a qualquer momento ele poderia vir pro jogo. Neymar é só talento. Veio a cabeçada do Thiago Silva, em cima do goleiro Ochoa.

Foi um jogo pra mostrar que o Brasil precisa de muito, mas muito mais pra ser campeão. Precisa de inspiração. Pé no chão. Humildade pra aceitar que não jogou o que achava que ia jogar.

E viva o México que saiu de campo como havia sonhado. Sem derrota, com um empate com sabor de vitória. Nova essa hein?



Luiz Ceará é formado em Jornalismo pela PUCC-Campinas. Iniciou a carreira na Radio Cultura de Campinas e depois EPTV, filiada à Rede Globo. Trabalhou na TV Globo - SP, SBT, TV Século 21, TV Bandeirantes e RedeTV!, onde é repórter e comentarista. Participou da cobertura de 4 Copas de 3 Olimpíadas.