Eu, tô cansaaaaaadooooo, dessa músicaaa, pelamooorrrrr

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Você também não aguenta mais a música “eu sou brasileeeeiro, com muito…”, nos jogos do Brasil na Copa, não é? Falando por mim, quando vou ao jogo e começa a soar a melodia, eu fico procurando o Liminha escondido na arquibancada que puxa o coro, logo seguido por gente que definitivamente não sabe o que se canta num estádio de futebol. Nunca acho.

Mas de onde surgiu essa coisa? Quem inventou isso? É do vôlei (donde outras bizarrices como aiaiaiai, em cima embaixo puxa e vai vieram)? É da Globo? É adaptação de algum axé? Não. Eu vos direi de onde veio. Eu estava lá.

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Era a noite de 26 de agosto de 1997. O estádio era o Maracanã, que recebia Flamengo x São Paulo pela extinta Supercopa dos Campeões da Libertadores da América. Era também a volta de Renato Gaúcho ao time da Gávea, depois de rebaixadas passagens pelo Fluminense.

Do jogo eu lembro um bocado. No primeiro tempo, Sávio teve a chance de abrir o marcador de pênalti, mas isolou a bola e ficou dando pulinho chiliquento de raiva na área. O primeiro tempo acabou 0x0 e chato.

O jogo mesmo rolou no segundo tempo. Fábio Baiano (que ainda pedia para ser chamado de Fábio Moraes) fez o primeiro do Fla. Denílson empatou para o São Paulo. Renato Gaúcho colocou o Fla na frente de novo e Sávio fez o terceiro. França diminuiu para o tricolor, mas ficou nisso.

E É NESSE GOL DO FRANÇA QUE A HISTÓRIA COMEÇOU A SER ESCRITA.

Neste vídeo, a partir o minuto 1, você ouve a torcida cantando a famigerada música, que ainda tinha a seguinte letra:

“Dá-le, dá-le dá-le Mengooo, com muito orgulhoooo, com muito amoorrrrr”

França fez o gol, o som diminuiu, mas ao final do jogo, com o time segurando a vitória contra a pressão paulista, a torcida gritou mais e mais e adotou.

Quem criou? Era uma adaptação de músicas argentinas, que a Raça Rubro Negra ouviu e mexeu na letra.

Logo depois, aproveitando a excelente fase do time, a Força Jovem do Vasco mudou para “VAI, TOMAR NO *** FLAMENGO, EU SOU DA FORÇA, O SEU TERROOOR”, e outras torcidas fizeram suas adaptações e cantaram em seus jogos.

A própria torcida do Flamengo, após a adaptação feita pela Força e demais torcidas, e também com o péssimo momento da equipe que não ajudava, abandonou o grito ainda em 2008.

Nos jogos da seleção, a música que conhecemos começou a ser cantada nas eliminatórias da Copa de 2002, só ganhou força mesmo para o Mundial de 2006, através de campanhas publicitárias. E pegou. Infelizmente.

Mas se quiserem colocar a culpa em alguém, é da Raça Rubro Negra, naquela noite de agosto de 1997.