Opinião: Federer, você já pode se aposentar

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Meu caro Roger Federer,

A gente não se conhece. Quando você dava suas primeiras raquetadas, lá na Suíça, eu era apenas um garoto em Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro. Você tem 32, quase 33 anos. Eu tenho 26. Sabia quem era você, claro, embora aqui só se falasse do Guga. Pois é, por muito tempo, tênis, para nós brasileiros, se resumiu a Gustavo Kuerten.

Pois foi justamente em Roland Garros, onde ele se consagrou, que você teve sua eliminação mais recente. No domingo (dia 1°), o letão Ernests Gulbis te superou por 3 sets a 2 – parciais de 6/7, (5-7), 7/6 (7-3), 6/2, 4/6 e 6/3 em quase quatro horas de partida. O que me preocupou e me fez escrever esta carta aberta para você.

O ano de 2014 não tem sido fácil, não é mesmo? Tudo bem que foi o ano que seus filhos gêmeos nasceram. Agora são quatro, dois casaizinhos de gêmeos. Mas dentro de quadra… Quanta saudade daquele Federer que foi o número 1 por 302 semanas, marca insuperável até o momento, e que se tornou o recordista de títulos em Grand Slams. Lembra de suas 17 conquistas, três a mais do que o lendário Pete Sampras e quatro além de Rafael Nadal, atual líder do ranking? Foram quatro Abertos da Austrália (2004, 2006, 2007 e 2010), um Roland Garros (2009), cinco Abertos dos EUA (2004, 2005, 2006, 2007 e 2008) e nada menos do que sete torneios de Wimbledon (2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2012).

Porque quem vê sua carreira apenas por este ano dirá que você não foi nem somba “daquele” Roger Federer. Afinal, com apenas um título (no ATP 500 de Dubai), três vices (Monte Carlo, Indian Wells e Brisbane) e quatro eliminações (Aberto da Austrália, Miami, Roma e, por fim, Roland Garros) não daria mesmo para falar que sua temporada foi brilhante.

Por tudo isso, meu caro, permita um conselho deste jornalista que só jogou tênis uma vez na vida: pare. Curta sua família, seus filhos, sua vida longe das raquetes. Você é um dos gigantes do esporte, daqueles que não precisam provar nada para ninguém. Bata suas bolinhas no fim de semana, ajude a formar outros campeões. E deixe os meninos jogarem.

Você foi um mito, Federer. Mas chegou a hora de se aposentar.

Não permita que meia dúzia de babacas reduzam você. Não dê a eles o gostinho de te ver perder, de enumerarem suas eliminações. Você fez tanto pelo esporte que não precisa passar por isso.

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Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.