Gilles Villeneuve: a lenda que nunca foi campeã na Fórmula 1

Ele é considerado um mito, um dos maiores pilotos que já guiaram um carro de Fórmula 1 na história. Dá nome ao circuito sede do Grande Prêmio do Canadá, que acontece neste domingo (8), em Montreal. Nunca foi campeão do mundo, mas, até hoje, é um dos pilotos mais lembrados da história da categoria. Ele é Gilles Villeneuve.

Morto em 8 de maio de 1982, após um terrível acidente no autódromo de Zolder, na Bélgica, durante os treinos de classificação, Gilles fez história na Ferrari. Ele estreou na Fórmula 1 em 1977, a bordo da McLaren. Desde cedo, era considerado um fenômeno. Muito veloz, muito arrojado e, acima de tudo, “inconsequente”.

Muitos pilotos da Fórmula 1 foram menos “endeusados”, digamos assim, do que Gilles. O motivo? Corriam, talvez, de forma robótica. Gilles dava espectáculos e era adorado pelos torcedores da Ferrari. O duelo com René Arnoux, da Renault, no Grande Prêmio da França de 1979, é relembrado até hoje como um dos melhores de todos os tempos. Nas últimas voltas, eles disputaram o 2º lugar em uma batalha a mais de 220km/h. Impressionante.

Era adorado, também, pela própria equipe. Em reportagem assinada no jornal “O Estado de S. Paulo” em 2012, em memória dos 20 anos da morte de Gilles, o jornalista Livio Oricchio, que cobre Fórmula 1 in loco há décadas, relembra passagem do livro escrito por Enzo Ferrari, fundador da equipe italiana: “Ele tem o que mais aprecio em um piloto, a grinta (vontade de vencer). Convivi com várias tragédias, mas a morte de Gilles está dentre as mais difíceis de aceitar.”

O ano em que Gilles bateu na trave foi 1979. O canadense foi o vice-campeão, perdendo o título para seu companheiro de equipe, o sul-africano Jody Scheckter.

Mas Gilles não precisou de nenhum título. Seu estilo, seu número mais lembrado (o 27 da Ferrari) e seu legado (o filho Jacques foi campeão da Fórmula 1 a bordo da Williams em 1997) fizeram mais pela Fórmula 1 do que suas seis vitórias em 67 corridas disputadas.

Foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.