Matematicamente, empate com o México é aceitável

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Quatro pontos em dois jogos e, pela frente, na última rodada da primeira fase, o adversário teoricamente mais fraco. Matematicamente, o empate por 0 x 0 do Brasil com o México não foi ruim. Se Croácia e Camarões empatarem nesta quarta-feira melhor ainda.  Bastaria, nesse caso, mais um empate, agora com os africanos, e a Seleção garantiria vaga nas oitavas – ainda que não garanta o primeiro lugar do Grupo A.

Uma vitória dos croatas também não seria péssima, já que iriam para o tudo ou nada contra o mexicanos, e os brasileiros enfrentariam os camaroneses eliminados. O pior cenário seria uma vitória de Camarões, o que tornaria o jogo da próxima terça uma disputa direta pela vaga, e permitiria ao México definir a vaga contra um time eliminado.

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Mas fora a frieza do números, o resultados foi bom?  Não dá pra dizer que sim. O time jogou muito mal. Mostrou dificuldade diante de uma marcação forte e falta de criatividade ofensiva. E ainda que o goleiro Ochoa tenha feito três grandes defesas – a primeira delas magistral – não foram precedidas por boas jogadas. Foi “bola na área e vamos ver no que dá”.

Faltou individualidade. Fred foi nulo. Paulinho não chegou com a eficiência de outros tempos. Ramirez, Oscar, Jô e Bernard também ficaram aquém do esperado. Neymar, se não foi primoroso, pelo menos levou algum perigo, mas ainda assim jogou menos do que se espera dele.

Coletivamente, a impressão é que tudo depende do improviso. Não há triangulação, não há ultrapassagem, não há opções a não ser erguer na área. Nas bolas paradas, parece não haver jogadas ensaiadas. Se houver, pior: não estão sendo executadas.

Ensaiar um lance é fundamental por mais bobo que possa parecer. O primeiro gol da Itália contra a Inglaterra, por exemplo, foi de uma simplicidade irritante – exceto, claro, para os tifosi. Uma cobrança curta de escanteio, um corta luz do craque do time (todos esperavam que Pirlo fizesse algo) e pronto: toda tranquilidade do mundo para Marchisio dominar, ajeitar e soltara  bomba. Será mesmo tão difícil?

No computo geral, um ponto foi pouco para uma equipe que jogou em casa, na sempre receptiva Fortaleza, e tem mais time. Talvez a pressão pela classificação tenha pesado. Quem sabe a combinação dos resultados dê tranquilidade para uma exibição melhor em Brasília. Até porque, depois de terça, não haverá mais espaço para insegurança.



Jornalista. Discursos prontos para a agradar a opinião pública me incomodam.