NBA supera o fracasso de Celtics e Lakers com a final que o mundo queria (re)ver

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Que a NBA é uma liga sólida, bem sucedida e um exemplo para o esporte no mundo todo, ninguém duvida. Mas mesmo no maior basquete do mundo existe um trauma: o insucesso de suas duas maiores franquias – Boston Celtics e Los Angeles Lakers.

E a hesitação tem fundamento. 2014 é apenas a segunda vez na história em que a NBA fica quatro anos seguidos sem nenhum de seus dois principais times participando das finais. A outra vez em que isso aconteceu foi no longínquo intervalo entre 92 e 99, quando a liga só não entrou em crise de popularidade porque um tal de Michael Jordan tratou de garantir o prestígio da época (diga-se de passagem, devidamente escoltado pelo icônico comissário David Stern e com o terreno já preparado pela notável rivalidade entre Larry Bird e Magic Johnson).

Desta vez, também existe um fenômeno entre nós. LeBron James não tem o carisma, a admiração e a aceitação que Jordan tinha, mas é, inegavelmente, uma celebridade – como há tempos (talvez o tempo exato desde a aposentadoria de MJ) a NBA não revelava para o mundo do ‘showbiz’.

Mesmo assim, é difícil imaginar que, sozinho, LeBron seguraria a bronca dessa geração. Ainda mais porque, voltando ao papo dos times, Celtics e Lakers dão todos os sinais de estarem entrando em um período sabático, de reconstrução, que deve demorar alguns anos pra trazer resultados mais animadores.

Mas se tudo isso é verdade e a maré não está pra peixe, por que as finais deste ano estão gerando tanta expectativa (Magic Johnson, por exemplo, chegou a invocar os tempos sagrados de “Showtime” para fazer relação com o duelo deste ano)? A receita, na verdade, é bem simples: junte os dois melhores times de basquete da atualidade e adicione um tempero especial – a revanche.

Heat e Spurs é a final do jogo jogado, do que acontece dentro da quadra. Você até pode lembrar – com razão – que o time de Miami tem, desde a sua formação, fortes influências do espetáculo midiático. Mas depois de três finais e dois títulos consecutivos, eles já provaram que são, acima de tudo, uma grande equipe de basquete. O Spurs, por sua, vez, é a rejeição aos holofotes em forma de time. Seu técnico não suporta entrevistas e sua maior estrela faltou em absolutamente todas as aulas de media training.

Tudo isso, claro, devidamente acompanhado do mais puro e legítimo sentimento de revanche. Nem Tim Duncan – o mestre da frigidez – conseguiu esconder. Ou alguém aí já esqueceu que o Spurs esteve a precisos cinco segundos de se sagrar campeão na temporada passada em cima desse mesmo Miami Heat?

Então, o que dá pra dizer é que as finais da NBA que começam hoje (e que, inclusive, trazem um novo formato de disputa) foram especialmente encomendadas para os amantes do basquete. E só. Quem vai ganhar? A gente não só não sabe, como sequer conseguiu entrar em acordo sobre em quem apostar. O resultado da divisão da nossa equipe virou, na maior cara de pau possível, duas previsões. Uma pra cada time. Resta a você escolher em qual apostar. O que não resta dúvidas é: era exatamente esta a final que a gente – e o mundo – queria.



O blog Homens Brancos Não Sabem Blogar (HBNSB.com) existe desde 2010, escrevendo sobre basquete brasileiro, europeu, curiosidades e, principalmente, NBA. O nome é uma homenagem a este clássico esquecido do cinema basqueteiro: White Men Can't Jump.