Opinião: Neymar é tão importante para a Seleção quanto Romário em 1994

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Em 1994, a Seleção Brasileira que venceu a Copa do Mundo, nos Estados Unidos, era Romário e mais dez. Vinte anos depois, muda-se o nome do craque mas a situação permanece: o Brasil que tenta o hexa em casa é Neymar e mais dez.

Não era para ser assim, ao menos neste ano. Afinal, Luiz Felipe Scolari tem em mãos gente do calibre de Oscar, Paulinho, Marcelo e Fred. O time é bom, com uma defesa, ao menos no papel, para ser considerada a melhor do mundo. Mas a orquestra de Scolari não está tão afinada quanto poderia parecer. Aí, então, é que o solista vira mais necessário.

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O time comandado pelo hoje coordenador-técnico Carlos Alberto Parreira, justiça seja feita, não era ruim. No. 4-4-2 clássico, tínhamos Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário. Era, sim, limitado, sobretudo se comparado aos times de hoje. Jogava o futebol pragmático e competitivo do início dos anos 90. Mas foi eficiente. Graças, claro, a Romário, estrela incontestável daquela Copa para quem a bola chegava.

A versão 2014 do Brasil tem mais recursos. É uma equipe mais versátil, com mais movimentação. Luiz Gustavo é um destruidor de bolas, como Mauro Silva e Dunga, mas com mais dinâmica no meio de campo. Distribui bons passes. Hulk não é Bebeto (está longe de ser, aliás), Daniel Alves não é Jorginho e Julio Cesar não é Taffarel. Mas Neymar é tão letal quanto Romário. O brilho, a estrela, é a mesma. Se não for maior.

Neymar tem brilhado. A camisa 10 (que em 1994 foi de Raí, que durou só a fase de grupos como capitão e titular) lhe cai muito bem. O gol o procura. Foram quatro até aqui, só um a menos do que Romário na campanha do tetra.

O time de Felipão não joga em função de Neymar. Mas o camisa 10 é aquela bola de segurança. Apertou? Joga nele que ele resolve. Romário, em 1994, era assim também, com a diferença que corria menos do que Neymar.

Há 20 anos, o final foi feliz para o Brasil. Se Neymar continuar inspirado, a história tem tudo para se repetir em casa.

Foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.