Neymar é unanimidade entre otimistas e pessimistas na Copa

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Antes da Copa começar, poderíamos dividir os torcedores brasileiros em dois conjuntos: os otimistas e os pessimistas. Hoje, eles ainda existem, mas concordam em um seguinte fato: Neymar é o nome da seleção brasileira.

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Os otimistas, chamados de “pachecos” por supostamente acharem o futebol do Brasil melhor em tudo e de qualquer jeito, se apegavam a Neymar pra garantir: o Brasil tem condição de chegar na longe e ganhar o título. Já os pessimistas, os “chatos de plantão”, alegavam que o Brasil não tem tanta qualidade quanto outrora e só restava Neymar como sopro de qualidade.

Pois bem, fim da fase de grupos e o que vimos foi o encontro das opiniões contrárias. E o entrocamento é Neymar. Com futebol de qualidade baixa, a equipe canarinha, instável durante os 90 minutos, goleou Camarões e se classificou em primeiro do grupo A pelo saldo de gols. Agora vai pegar o Chile nas oitavas, velho freguês que vem repaginado e com pencha de time-sensação. Graças ao camisa 10.

E a vantagem dos pessimistas é o apego dos otimistas. Ambos acertaram na mosca. Neymar vai levando o time nas costas. Com Hulk mal e Oscar apenas voluntarioso, falta criatividade a equipe brasileira. E criatividade, já sabemos, sobra ao menino Ney: dribles, chutes, passes, arrancadas e o vasto repertório de bola no pé que Neymar sempre mostrou.

Como conjunto, falta muita coisa ao Brasil. A começar pelo emocional. A equipe mantém-se sóbria nos momentos de aperto mas oscila muito durante a partida. Mais uma vez, botou os pontos conquistados em risco com momentos de puro desligamento. Momentos estes que deverão ser fatais se voltarem a acontecer numa fase de mata-mata, com as principais equipes do torneio. Daniel Alves voltou a se mostrar nulo no ataque e continua sendo um convite para o ataque adversário. Tendo um jogador como Maicon no banco, é uma temeridade mantê-lo como titular. O restante da linha de defesa individualmente não deixa a desejar, com destaque para Luis Gustavo, que apesar de uma bobeada num recuo de bola, continua fazendo partidas seguras.

O problema começa, como detectado anteriormente por quase todo mundo, do meio pra frente. Paulinho não é nem sombra do jogador que foi. Joga mal, participa pouco e tem sua vaga – enfim – seriamente ameaçada após a excelente entrada de Fernandinho, que vem de temporada melhor, diga-se.

Na frente, Oscar é bastante combativo mas pouco criativo e Hulk faz atuações bem abaixo da média. Como não tem substituto com as mesmas características, deve se manter entre os titulares, até porque William ainda não convenceu a ninguém que pode começar entre os 11.

Fred guardou o seu gol, na primeira oportunidade que teve na Copa. Merece crédito. Mas o principal: o atacante voltou do intervalo se mexendo bem mais, o que ocasionou também na boa triangulação que resultou no último gol.

Por fim, tem Neymar. A ele, apenas a saudação. Se até às 17h de ontem, Robben era o craque da Copa na minha visão, desde de 2 horas depois que o craque do torneio é a joia brasileira. Neymar não é só o artilheiro da Copa, não fez só 58% dos gols da equipe. Ele é o desafogo do time, a válvula de escape. Tá ruim, joga no Neymar. Não à toa, fez o gol do empate e o da virada contra a Croácia e os dois que botaram o Brasil em vantagem contra Camarões. Contra o México, passou em branco mas ainda foi o melhor do time.

Neymar, como diz na gíria do futebol, tá chamando a responsabilidade. Bota a bola debaixo do braço e, com o “Neymarball, vai levando o Brasil à frente. Como os otimistas esperavam e como os pessimistas duvidavam. Mas não duvidam mais. Se o Brasil ainda suscita muitas interrogações, Neymar já está devidamente colocado na galeria dos craques mundiais.

PS: Apenas à título de curiosidade, para definir o melhor, levo em conta três aspectos: a importância que tem para equipe, o número de gols e o nível das exibições.

Por Caio Bellandi, originalmente no blog



Carioca, bacharel em Direito e bacharelando em Jornalismo pela FACHA. Não escolheu o jornalismo mas foi escolhido por ele. Sonho profissional: casar com a editoria de esporte e ser amante das páginas de política. Resumidamente, um cronista do cotidiano, comentarista do dia-a-dia e palpiteiro da rotina.