Números da camisa nem sempre garantem vaga na seleção brasileira

O goleiro Julio Cesar escolheu a camisa 12 para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014. Reserva? Só no número. Julio foi o primeiro atleta confirmado pelo técnico Luiz Felipe Scolari para o Mundial do Brasil. E ficou com o número com que brilhou na Inter de Milão entre 2005 e 2012. O 1, que foi utilizado por Julio em 2010, ficou com o reserva Jefferson.

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Na Seleção Brasileira atual, a numeração dá indícios sobre quase todas as peças titulares para a Copa. As exceções são justamente Julio Cesar e o volante Luiz Gustavo, que jogará com a 17. Fernandinho, reserva, é o homem que veste a 5. Paulinho, que durante toda a etapa de preparação usou a camisa 18, ficou com a 8, enquanto seu número anterior migrou para Hernanes (que chegou a usar o 8 em algumas partidas). Hulk trocou o 19 da Copa das Confederações pelo 7.

Nas edições anteriores, sempre teve um “penetra”, com número de reserva, entre os titulares do Brasil. Na África do Sul, foi Daniel Alves, o número 13, que iniciou como suplente de Maicon (dono da 2 em 2010 e da 23 em 2014), mas que virou titular do meio de campo ao longo do torneio.

Em 2002, na conquista do penta, Kleberson, com a 15, foi titular. Ricardinho, que herdou a 7 do capitão Emerson, ficou no banco.

Em 1998, Bebeto dividiu o ataque com o Ronaldo vestindo o número 20. E Leonardo, já no meio de campo e de posse do número 18, desbancou Giovanni, o dono da 7.

Já em 1994, Mazinho, o 17, barrou Raí, o camisa 10 e capitão, durante o torneio.  No tetra, aliás, foi um show de “reservas”. Leonardo jogou na lateral esquerda com a 16 (Branco, dono da 6, estava machucado). Na zaga, Aldair, camisa 13, e Márcio Santos, 15, deram conta do recado. E a 9? Bem, Ronaldo, à época apenas Ronaldinho, era o 20. Viola, o 21. A 9 era de Zinho, meio-campista que nem de longe foi centroavante do Mundial. Os gols ficaram com Romário, camisa 11, e Bebeto, 7.

Em 1982 e 1986, o efeito se repetiu. Em 1982, na Espanha, Falcão foi titular no meio de campo com a camisa 15 – em 1986, foi o 5. Com Sócrates, a situação se inverteu: o Doutor foi o camisa 8 em 1982 e o 18 em 1986.

E o que dizer, então, da Seleção de 1958? Graças à distribuição aleatória dos números, o goleiro Gylmar dos Santos neves jogou com a camisa 3 (!!), Nilton Santos brilhou na lateral esquerda com a 12. O zagueiro Orlando (15), o  volante Zito (19) e o atacante Vavá (20) foram outros “reservas” titulares naquele timaço histórico. Pelé, claro, foi o camisa 10.

Foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.