Opinião: Palmeiras demorou para homenagear Oberdan

O Palmeiras e o futebol brasileiro perderam um dos jogadores mais importantes de sua história na última sexta-feira (20). O ex-goleiro Oberdan Cattani, último renascente do antigo Palestra Itália, morreu aos 95 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações cardíacas resultantes de uma pneumonia. Oberdan se foi na semana em que seria homenageado pelo Palmeiras com um busto no Palestra Itália. A inauguração aconteceria no último dia 19, mas, a pedido da família, por causa dos problemas de saúde do ex-jogador, foi adiado. Não deu tempo.

Um dos maiores jogadores são só do Palestra Itália/Palmeiras e do Brasil entre os anos 40 e 50, Oberdan jogou no alviverde entre 1941 e 1954. Foram 351 partidas no clube e diversos títulos, como os Campeonatos Paulistas de 1942, 1944, 1947 e 1950, além do Torneio Rio-São Paulo de 1951 e a Copa Rio de 1951, torneio com status de Mundial na época.

Mas por ter defendido também o Juventus da Mooca depois de jogar pelo Verdão, Oberdan teve de esperar 60 anos pelo seu busto. Por que, se foi um dos maiores da história palestina e palmeirinse? Dizia-se, na época, que jogadores que tinham enfrentado o Palmeiras não poderia ser eternizados nas alamedas do clube.

“Não existe no estatuto nada que diga que quem jogou contra o Palmeiras não possa ter busto”, afirmou Jota Christianini, diretor de história e do acervo histórico do Palmeiras, ao site do clube.  Ou seja, por causa de uma lenda urbana, um dos maiores ídolos da história verde morreu antes de ser homenageado. Ele seria o quarto busto do clube. Somente Waldemar Fiúme, Junqueira e Ademir da Guia tiveram tal honra. Marcos, que se aposentou em 2012, é outro que se tornará busto.

O Palmeiras errou em adiar por tantos anos a homenagem a Oberdan. Antes tarde do que nunca.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.