Copa do Mundo ajuda a pôr fim às rivalidades no futebol

A Copa do Mundo de 2014 está transbordando carisma a cada jogo. Dentro, mas principalmente fora de campo, o que não falta é personagem ou situação inusitada, engraçada e que nos lembra que o Mundial é uma das coisas mais legais que existem. Rivalidades entre países, por exemplo, se não deixam de existir totalmente, reduzem bastante em alguns casos.

Ver um brasileiro torcendo pela Argentina será difícil (mas não impossível. Eu conheço alguns por aí), mas belgas com a camisa da Holanda e japoneses torcendo também pelo time laranja foram cenas que eu presenciei na segunda-feira (23), no jogo entre Holanda e Chile no Itaquerão, válido pela última rodada do Grupo B.

Kansushi Ono tem 18 anos. É japonês e mora em São Paulo com a família, jád que o pai trabalha no Brasil. Ele e mais um amigo se destacam entre vermelhos (chilenos) e laranjas (holandeses) no Itaquerão por causa da camisa da Seleção Japonesa que vestia. Naquele jogo, a torcida já estava definida: “Vou torcer oara a Holanda por causa do Robben. Sou torcedor do Bayern de Munique”, falou.

O belga Ives Welvaert me confundiu. Fui conversar com ele pensando que se tratava de um holandês. Afinal, se parecia com outros holandeses e vestia uma camisa laranja. Mas ele mesmo me corrigiu e disse que era belga. Perguntei a ele se não era estranho isso, já que belgas e holandeses nutrem certa rivalidade. “Isso é mais folclore. São rivais, mas não inimigos. Hoje sou Holanda.”

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E no fim a torcida da dupla deu certo: a Seleção da Holanda venceu o Chile por 2 a 0. Robben não fez gol, mas deu um show no Itaquerão. E holandeses e chilenos voltaram lado a lado, sem brigas e confusões no metrô de São Paulo após uma partida.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.