A Copa Libertadores está perdendo a graça?

Libertadores

Pare por um minuto e me responda, onde você estava no dia 24/05? Difícil. Bom, onde você estava durante o jogo entre Real Madrid x Atlético de Madrid pela decisão da Champions League?

Com algumas exceções, acredito que a maioria iria responder que estava em algum local assistindo o jogo. Claro, além do mote do clássico e da rivalidade envolvida, a Champions League é o campeonato de clubes mais importante do planeta. São os melhores jogadores do mundo disputando o título de melhor clube europeu.

É fato que o futebol europeu dominou o mundo e busca se internacionalizar cada vez mais. Consequência disso, cada vez mais, acompanhamos com mais afinco e regularidade os campeonatos disputados por lá, sabemos as escalações de cor e clamamos por jogadores revelações nos pequenos clubes.

Ok. Agora faço a mesma pergunta. Onde você estava no dia de ontem às 21h?

Não há um consenso. Possíveis respostas desde assistindo seu time na Copa do Brasil, o amistoso entre a seleção da MLS e o Bayern ou até mesmo a novela. Mas, você sabia que ontem foi disputada a primeira partida da final da Libertadores?

Devido a falta de times do Brasil nas fases finais não houve, durante o período, o menor apelo entre os brasileiros para que seguissem acompanhando o campeonato. Os jogos passaram a ser transmitidos em horários mais adequados (entre 19 a 21 horas) e perdeu sua presença na TV aberta brasileira, bem como tempo nos programas esportivos.

Acho inconcebível que o “maior campeonato da América do Sul” tenha como único argumento de venda para o Brasil a presença de times brasileiros em campo.

Enquanto isso a Champions League prima pelos mínimos detalhes que vão desde a construção de brand, criação de experiências únicas, organização do campeonato até estratégia de operação de cada partida. Enquanto isso a CONMEBOL nos assusta com pitadas de amadorismos, chegando ao ponto de discutir o regulamento, mal explicado, durante a disputa das finais.

Essa organização exímia reflete no torcedor.

Com essa estratégia a Champions League já atingiu mais de quatro bilhões de telespectadores em 220 países e territórios na sua última edição. A final, que se tornou um evento icônico, ultrapassou o SuperBowl (111 milhões de espectadores) atingindo 150 milhões de espectadores, e o engajamento em redes sociais também bate recorde com 4,8 milhões de tweets sobre a final e 190 mil utilizações das hashtag escolhida pela UEFA.

Mesmo em relação a presença em estádio a diferença é absurda. A média de público da Champions League é de 44.901 pessoas por jogo, enquanto os brasileiros nessa edição alcançaram 28.616 pessoas. Exatamente por isso não há um posicionamento estratégico em relação a Libertadores. Rapidamente, quem são os patrocinadores do campeonato? A Bridgestone detém os naming rights e…quem mais?

Não há um caso como da Nissan com a Champions League que desembolsa 55 milhões de euros exatamente para se posicionar como a principal montadora asiática no continente europeu. Imagine se uma empresa define seu planejamento de marketing, e seu posicionamento, para o mercado brasileiro, colombiano e chileno utilizando a Libertadores como um dos grandes canais de comunicação. Da mesma forma que no Campeonato Brasileiro, é preciso um trabalho intenso das principais partes (TV, CONMEBOL e clubes) em cima da Libertadores.

É interessante que se faça um estudo das nossas demandas e oportunidades e que estratégias poderão ser adotadas de modo contextual a região, economia e público-alvo e que adicionem ao conceito de raça e paixão, o quesito espetáculo e rentabilidade que tanto clamamos.

Foto: Getty Images



Empreendedor, formado em Administração e Gestão de Projetos. Acha que a assistência é mais importante que o gol e sempre quis ser um camisa 10, mas foi no máximo a 2. Enxerga o esporte mais do que as quatro linhas, acredita ser um negócio, uma manifestação social, uma experiência única. Espera transformar o futebol brasileiro em uma Champions League.