Empate em Chapecó expõe dificuldades do Atlético-MG na temporada

Atlético-MG

O duelo de ontem contra a Chapecoense, válido pela 10ª rodada do Brasileirão, tinha tudo para representar o primeiro passo do Atlético-MG rumo à objetivos maiores na temporada.

Embalado pela vitória conquistada no final de semana e visualizando à frente outro jogo em casa no próximo domingo, três pontos ontem significariam mais do que a afirmação do poderio da equipe, como também o passe final para ficar na cara do gol do G4.

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Porém, mais uma vez, os comandados de Levir Culpi demonstraram não estar mais, definitivamente, com aquela aura de campeão, que acompanhou-os ao longo do saudosíssimo ano passado.

Sem se ater especificamente aos detalhes táticos da partida e analisando mais o modo como o placar se construiu, vê-se que o Galo enfrenta talvez um problema que acomete todo time campeão no Brasil: o comodismo.

Com exceção do segundo jogo da Recopa, não houve um duelo em que o Galo nos convenceu de que vai se esforçar ao máximo para voltar a dar alegrias à Massa. Aliás, vale salientar que contra o Lanús, no Mineirão, o roteiro acabou sendo aquele mais pela gana do adversário em estragar a festa do que pela dedicação do Atlético-MG em garanti-la. Fatos são fatos.

Primeiro Ronaldinho decide sair do time. Muito obrigado pelos serviços prestados, mas é meio estranho ele perceber que o “ciclo acabou” apenas no mês de agosto, sendo que teve a Copa inteira para tal estalo mental.

Depois Jô, que certamente esqueceu que antes de ser recebido de braços abertos por Kalil, estava jogado às traças no Inter, sem moral e perspectiva nenhuma, decide que seus problemas conjugais são mais importantes que seus compromissos profissionais. Desaparece, não avisa ninguém e tem que o empresário e o pai dele passarem um pano, explicarem tudo e ainda darem satisfação à imprensa.

Jogador de futebol no Brasil é pior que criança mimada de família abastada. E o mais complicado disso tudo é que são eles que fazem o espetáculo acontecer, então a prerrogativa de ser assim está toda do lado deles. Triste, mas é a verdade.

Em Chapecó, ontem, não foi exatamente essas coisas que fizeram com que o time apenas empatasse, já nos minutos finais e novamente com um gol salvador, mas achado, do sempre competente, focado e comprometido Leonardo Silva.

Mas essas coisas atrapalham, sim, os objetivos esperados, uma vez que deslumbramento futebolístico é igual vírus da gripe: basta um espirrar em um lugar fechado e pronto, todo mundo é passível de contrair a doença.

É por essas e outras que, infelizmente, times vencedores no Brasil têm prazo de validade. E o pior é que isso não é devido a um déficit de capacidade física dos atletas, mas, sim, pela perda de tesão observada no decorrer da temporada seguinte.

Ronaldinho já foi e Jô parece que quer ir também. Seria salutar que fosse, pois como bem assinalou Tardelli, em entrevista concedida depois do treino, já em terras catarinenses, “quem está aqui está comprometido com a gente”.

Só espero, de coração, que Levir Culpi não pague o pato dessa palhaçada toda. Mesmo porque, o responsável por 100% dos pontos do Galo na atual edição do Brasileirão é o treinador, que pode não ser um gênio da estratégia, mas é um cara muito correto.

Que se recomece tudo do zero. Pela honra da camisa alvinegra.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...