Entenda por que a família Gracie é tão importante para o MMA

Se você gosta de artes marciais, com certeza já ouviu falar do nome “Gracie”. A família, que foi pioneira do jiu-jitsu no Brasil, tem grande responsabilidade também na criação das artes marciais mistas. Se você é fã do UFC, é graças aos Gracie. Para entender a relação sobre o clã e a luta, é preciso voltar quase um século no passado.

Tudo começou no fim dos anos 10 e início dos anos 20, em Belém. Carlos Gracie era um garoto, por assim dizer, cheio de energia. Aprontava muito mas ruas da capital paraense (era, como se descobriria mais tarde, hiperativo). Até que, um dia, seu pai, Gastão fez amizade com um japonês em um circo do qual era dono. O oriental era Mitsuyo Esai Maeda, conhecido por Conde Koma, que se tornou professor de Carlos. Estava ali a primeira semente do que viria ser o jiu-jitsu brasileiro.

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Carlos começou a aprender a luta ainda no Japão. E absorveu tudo com extrema rapidez, adaptando, aos pouquinhos, a modalidade a seu porte franzino. No início dos anos 20 a família Gracie se mudou para o Rio de Janeiro, então capital do país. Lá, Carlos fincaria raízes e abriria sua academia. Difundir o jiu-jistu tornou-se seu objetivo de vida. O Gracie começou a lançar desafios nos jornais. Queria lutar contra qualquer oponente, não importando o peso e a altura. Venceu todo mundo. E impressionou a muita gente com aquela forma de lutar até então desconhecida.

Os irmãos de Carlos – George, Gastão Filho e Hélio – com o passar do temo também se tornaram lutadores e entraram nas disputas de jiu-jitsu e de vale-tudo. Logo depois vieram os filhos, como Carlson e Rolls. Todos com o mesmo intuito: consolidar a supremacia do jiu-jitsu sobre as demais modalidades de luta.

Até que, em 1993, o filho mais velho de Hélio, Rorion Gracie, decidiu levar o vale-tudo para a televisão. Ele morava nos Estados Unidos, se associou a empresários e um ringue de forma octogonal surgiu. Estava criado o Ultimate Fighting Championship. O primeiro campeão foi Royce Gracie (foto).

No Japão, quem abriu o caminho foi outro filho de Hélio, Rickson Gracie. Ele competiu no Vale Tudo Japan, evento que foi precursor do Pride. Posteriormente, Rickson, Royler, Renzo, Ryan e o próprio Royce Gracie iriam competir no Pride.

Se hoje parece surreal pensar no MMA com lutadores duelando de quimono e sem luvas, como Royce, ou de sapatilhas, como diversos wrestlers das primeiras edições do UFC, na época isso nada mais era do que acontecia. Os duelos em que os primeiros Gracies se envolviam eram, muitas vezes, a portas fechadas, apenas de sungas. E com menos regras ainda do que as poucas dos primórdios do UFC.

O MMA, como tal, não existia. Ainda era o vale-tudo. O UFC nasceu sem categorias de peso ou rounds. Vencia quem finalizasse ou conseguisse nocautear o adversário. Para adaptar melhor aos formatos televisivos, as regras foram sendo implantadas. Até que nasceu o MMA como conhecemos hoje. Graças à família Gracie.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.