F1: Hamilton e Rosberg entram na lista de rivalidades internas

Rosberg x Hamilton - Mercedes

A disputa pelo título mundial da F1 está cada vez mais acirrada entre os dois pilotos da Mercedes, o inglês Lewis Hamilton, e o líder, o alemão Nico Rosberg. A briga interna na equipe alemã já gerou rusgas, ambos chegaram a ficar sem se falar publicamente, houve um anúncio de que a amizade continuava, mas as polêmicas continuam.

Hamilton reclamou de ordens da equipe Mercedes para ceder posição a Rosberg no GP da Hungria. O piloto inglês disse que achou o recado “estranho”. Fato é que essa disputa relembra grandes embates internos da história da Fórmula 1.

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A categoria, que muitas vezes é criticada por causa dos jogos de equipe e pela existência declarada de segundos pilotos, como ficou na história a relação de Michael Schumacher e Rubens Barrichello na Ferrari, teve pegas muito interessantes que deixaram diretores de equipe no meio de uma verdadeira batalha.

O mais famoso caso hoje na lembrança dos torcedores é a rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost, na McLaren. A parceria durou duas temporadas, em 1988 e 1989, mas o último ano foi marcado por uma cisão histórica na equipe de Ron Dennis, que claramente ficou do lado do brasileiro. O título acabou decidido a favor do francês em uma batida na última chicane do circuito de Suzuka, no Japão.

Outro brasileiro que se envolveu em uma briga interna na Fórmula 1 foi o polêmico e também tricampeão mundial Nelson Piquet. Em 1986 e 1987, o piloto dividiu a Williams com o inglês Nigel Mansell. Piloto do país da escuderia, Mansell era acusado de levar a preferência do time de Frank Williams. Piquet rompou definitivamente em 1987, ano em que conquistou seu terceiro título.

Mas foi mesmo Alain Prost quem mais teve problemas com companheiros de equipe. Além de uma disputa ferrenha com Niki Lauda na McLaren, o francês teve crises com o compatriota René Arnoux, na Renault, no início de sua trajetória na Fórmula 1. E como se não bastasse o convívio conturbado com Senna na McLaren, logo após deixar a equipe inglesa por causa do tratamento dado ao brasileiro, Prost acabou indo para a Ferrari, justamente para correr ao lado de Mansell.

A disputa acabou tirando Mansell da Ferrari no ano seguinte. E o campeão foi Senna, com a equipe anterior de Prost. O francês só voltaria a ser campeão na Williams, em 1993, quando retornou à F1 depois de um ano sabático. E só aceitou correr pela equipe se o inglês não tivesse o contrato renovado. Rusgas do período na Ferrari.

O canadense Gilles Villeneuve, considerado como um dos pilotos mais brilhantes de todos os tempos, vivia o ápice de uma rivalidade interna quando morreu em um trágico acidente nos treinos para o GP da Bélgica, em 1982. Villeneuve buscava a todo custo bater o francês Didier Pironi, que havia vencido uma corrida em San Marino com uma ultrapassagem sobre o rival justamente quando o acordo era que ambos mantivessem suas posições até o fim.

A rivalidade forte mais recente antes da Mercedes também tinha Lewis Hamilton como um dos componentes. Foi na McLaren, em 2007, justamente o primeiro ano da carreira do piloto inglês, formado desde a base pela equipe de Ron Dennis, e que tinha como novidade a contratação do então atual bicampeão mundial, Fernando Alonso. Disputas na pista, rusgas fora dela. E o campeão acabou sendo o finlandês Kimi Raikkonen, com a Ferrari.

Desta vez, pelo menos, parece quase impossível que outro piloto faça como Raikkonen e se aproveite da rivalidade entre Hamilton e Rosberg, tamanha a superioridade da Mercedes. Por via das dúvidas, o australiano Daniel Ricciardo faz sua parte e tenta conquistar o maior número de pontos possível com a Red Bull. A temporada ainda vai ferver muito.

Fotos: Getty Images



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.