Filosofia moderna e ingressos acessíveis fortalecem o Fluminense em 2014

Dentro de campo, o Fluminense foi rebaixado no último campeonato brasileiro, mas escapou devido à bagunça envolvendo a escalação irregular de Héverton, da Portuguesa, que por sua vez caiu para a Série B.

Mas deixemos isso de lado, esse não é o foco deste post. De maneira justa ou não, o tricolor carioca permaneceu na elite e hoje, com exceção do Cruzeiro, apresenta o futebol mais agradável de se ver no país.

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Grande parte da equipe de 2013 foi campeã nacional um ano antes. Não se tratava de terra arrasada. Para 2014, Walter foi contratado e Conca repatriado. O erro foi apostar em Renato Gaúcho, que há tempos não fazia um trabalho de respeito, e apesar de ter sido vice-campeão com o Grêmio na temporada passada, o time era baseado em um total pragmatismo. Pouco para o badalado elenco que possuía. E na sua volta ao Rio de Janeiro não houve nada de inovador. O Fluminense de Renato parecia um bando em campo, não havia o mínimo de organização tática e bons resultados não apareciam.

A sorte dos tricolores é que a temporada mal havia começado, portanto havia tempo para corrigir os equívocos. A primeira ação talvez tenha sido a melhor cartada nos últimos anos da diretoria do clube: trazer Cristóvão Borges. Vale lembrar que o treinador iniciou sua carreira apenas por causa do problema de saúde de Ricardo Gomes em 2011 no Vasco. A partir dali, Cristóvão deu sequência ao bom trabalho, foi vice-campeão brasileiro e deu adeus à Libertadores diante do Corinthians no detalhe, literalmente. Ah, se aquela bola de Diego Souza entrasse… A conquista da América era, sim, perfeitamente factível.

Quando Cristóvão saiu devido ao caos em que os cruzmaltinos haviam mergulhado, o treinador se juntou a profissionais e formou um grupo de estudos visando a compreensão do que é o futebol atualmente. Algo que Tite também faz no momento. Nesse período houve uma passagem pelo Bahia, onde em meio a uma crise política e sem peças de qualidade em mãos, foi capaz de salvar o clube de um iminente rebaixamento.

No Fluminense, primeiramente fez o óbvio ao reintegrar Rafael Sóbis, deixado de lado por Renato Gaúcho sabe-se lá por que. O atacante que quase foi negociado com o Corinthians é peça fundamental no esquema. Esquema que prioriza o ataque, o passe e a leveza. No meio de campo não há brucutus. Jean e Cícero são exemplos de volantes modernos, capazes de marcar, sair para o jogo com eficiência e ir às redes. Wágner tornou-se mais regular do que era nos tempos de Cruzeiro e Conca dá o algo mais. O problema a ser corrigido é a defesa. Os laterais apoiam com frequência e deixam espaços em uma dupla de zagueiros não muito confiável. Mesmo assim já são três vitórias seguidas e nenhum gol sofrido. Evolução.

Além disso, diferentemente de alguns rivais, os preços dos ingressos em partidas no Maracanã são bastante acessíveis. Hoje contra o Goiás, por exemplo, a entrada inteira para a arquibancada custou 20 reais. O resultado disso é a presença maciça do público e a sintonia time-torcida que ajudará o Fluminense a brigar pelas primeiras posições durante todo o Brasileirão.

Dessa vez, parabéns.

 



Estudante de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e alucinado por futebol.