Mercedes já foi Honda. Conheça a origem das equipes da F1

A Fórmula 1 tem atualmente 11 equipes no grid disputando as corridas durante a temporada. Mas apenas três delas estão há décadas sem trocas de nomes, Ferrari, Williams e McLaren. Graças a várias mudanças de comando, patrocinadores e acionistas, a categoria tem uma linha do tempo bizarra para quem não a acompanha. Por exemplo: a Mercedes, escuderia da histórica montadora alemã, já foi Honda, concorrente japonesa no mundo dos carros.

A explicação está na história dessa equipe. A Mercedes GP surgiu em 2010 após a compra da Brawn GP, equipe formada pelo engenheiro Ross Brawn no ano anterior com a estrutura deixada para trás pela Honda em 2008. A montadora japonesa abandonou a Fórmula 1 por causa da crise econômica mundial. A sede das três equipes é a mesma, em Brackley, na Inglaterra.

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A própria Honda não é a origem dessa equipe montada em terras inglesas. Os japoneses colocaram o nome de sua marca em 2006, após assumir o controle da BAR, a British American Racing, que pertencia a uma empresa de tabaco desde 1999, quando esta comprou a histórica Tyrrell, campeã mundial nos anos 1970, mas que vivia em crise nos últimos anos.

Lotus já foi Toleman

Outro caso interessante de hoje na Fórmula 1 é a Lotus. Embora leve o nome do time que teve nomes como Emerson Fittipaldi, Jim Clark, Graham Hill, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Mario Andretti e Jochen Rindt, a equipe atual de Pastor Maldonado e Romain Grosjean não é uma sequência da linha histórica da escuderia de Colin Chapman.

A Lotus atual surgiu em 2011, quando a Renault vendeu o controle de sua equipe. Apesar de ser de uma fábrica francesa, a equipe dos títulos mundiais de Fernando Alonso tinha sede na Inglaterra, em Enstone. Isso porque a equipe comprou a antiga Benetton, pertencente a uma empresa italiana de moda, que também entrou para a história da F1 com o bicampeonato de Michael Schumacher, em 1994 e 1995, e teve durante duas temporadas o brasileiro Nelson Piquet, em 1990 e 1991.

A Benetton, por sua vez, surgiu da compra da pequena inglesa Toleman, que é conhecida por ter sido a primeira equipe da carreira de Ayrton Senna na Fórmula 1, pela qual o brasileiro fez o brilhante GP de Mônaco de 1984 e despertou o interesse de escuderias maiores até ir para a Lotus de então. Ou seja, por essa linha do tempo a Lotus de hoje não é a Lotus de Senna, mas tem o brasileiro em sua história.

Que fim levou a Jordan?

A Jordan, equipe fundada em 1991 por Eddie Jordan, deixou sua marca na Fórmula 1 como a primeira equipe das carreiras de Michael Schumacher, Eddie Irvine e Rubens Barrichello. Esses dois últimos mais tarde fariam dupla com Schumi na Ferrari. O time acabou em 2005 e foi comprado pela Midland.

Essa equipe durou apenas um ano, e em 2007 já estava no grid, em seu lugar, a Spyker, que também teve vida curta. Surgia, em 2008, graças à compra feita pelo indiano Vijay Mallya, a Force India, que hoje faz sua melhor temporada com um quinto lugar no Mundial de Construtores.

E a Red Bull?

A equipe austríaca que dominou a Fórmula 1 nas últimas quatro temporadas com o alemão Sebastian Vettel começou sua trajetória em 2005, quando a empresa de energéticos comprou a Jaguar, time que pertenceu à Ford e surgiu da Stewart, famosa por ter levantado a carreira de Rubens Barrichello em 1999, servindo de palco para que ele fosse observado pela Ferrari.

A Red Bull ainda mantém fábrica em Milton Keynes, no Reino Unido, onde Jackie Stewart montou sua equipe em 1997. A Toro Rosso, espécie de filial italiana da RBR, começou em 2006 após a compra da tradicional, porém não vencedora, Minardi, que teve brasileiros como Christian Fittipaldi, Tarso Marques e Roberto Moreno. Se a Minardi foi a primeira escuderia da carreira de Fernando Alonso, o viés formador da equipe italiana continuou com o tempo. Foi na Toro Rosso que surgiram Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo.

Sauber

A Sauber tem o nome original, mas não competiu assim desde sua fundação, em 1993. Entre 2006 e 2010, o time teve a parceria da alemã BMW, e correu como BMW-Sauber, muitas vezes chamada apenas de BMW. O rompimento com a montadora, em 2010, gerou uma das maiores bizarrices da história da Fórmula 1. A BMW-Sauber correu com motor Ferrari.

Pequenas

As duas equipes menores da atualidade também tiveram outro nome, apesar de tão pouco de existência. A Caterham entrou na F1 em 2010 como Lotus, mas acabou tendo que abrir mão da nomenclatura após uma batalha de judicial. Em 2011, a Fórmula 1 teve suas equipes com esse mesmo nome no grid graças a essa briga.

Já a Marussia, fundada também em 2010, correu inicialmente como Virgin, nome da empresa que a fundou e foi patrocinadora da Brawn GP na temporada anterior, em 2009.

Tradicionais

A Ferrari é a única equipe atual que está presente desde o início da Fórmula 1. A escuderia criada por Enzo Ferrari nunca alterou sequer a cor de seus carros, mantendo o vermelho tradicional que marcava os carros italianos no início do automobilismo.

Já a Williams é, na verdade, uma segunda equipe formada por Frank Williams. Ele já havia feito uma tentativa nos anos 1970 com a Frank Williams Racing Cars. A escuderia atual surgiu em 1978 e nunca mais mudou. As cores, entretanto, se alternaram de acordo com o patrocinador principal da vez.

A McLaren, fundada por Bruce McLaren, está na ativa desde 1966 e também não sofreu alterações. Assim como a Williams, só mudou a pintura dos carros em função dos patrocinadores.

Não por acaso, as três são as maiores campeãs da Fórmula 1 em todos os tempos.

Foto: Getty Images



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.