Seleção brasileira: o que a Globo tem a ver com o 7×1?

Acredito que o ano de 2014 é um ano único para a história do futebol brasileiro. Antes da Copa do Mundo, durante o planejamento do meu projeto para cobrir a experiência do torcedor, comentava que a Copa do Mundo seria um divisor de águas, funcionaria como as Copas de 1950 e a de 1982. Bom, mas por que citei as Copas de 1950 e 1982? É simples.

A final perdida para o Uruguai em 1950 foi um trauma gigantesco para o futebol brasileiro, era inconcebível a derrota da seleção brasileira no Maracanã. E tal ponto resultou em uma espécie de revolução que culminou nos títulos de 1958, 1962 e 1970. Basicamente, a derrota de 50 é “pai” dos três primeiros títulos do Brasil.

Já 1982 foi responsável pelo início da nossa decadência. A derrota da “melhor seleção de todos os tempos” alterou nosso estilo de jogo profundamente, passamos de meias clássicos e atacante habilidosos para volantes marcadores e referências na área.

Ou seja, a Copa do Mundo tem um efeito de tendência e de proporcionar grandes mudanças no futebol brasileiro. E a de 2014 não poderia ser diferente.

O jogo contra a Alemanha, finalmente, mostrou ao mundo que somos deficientes em muitos aspectos no futebol atual. Passando por nossos técnicos, nossos sistemas de jogo até a formação dos atletas e a gestão profissional dos clubes, o futebol brasileiro está preso em conceitos de 20 anos atrás. Estamos em crise.

Além disso, uma mudança estrutural não acontece da noite do dia e, principalmente no Brasil, não deve partir de federações e órgãos políticos como a CBF (mais preocupada com a Seleção Brasileira) e nem podemos esperar grandes alterações apenas do movimento Bom Senso FC.

Então, no dia de ontem uma noticia que parece uma pequena luz no fim do túnel. A Rede Globo, grande detentora e “mecenas” do futebol brasileiro, abatida pelos pequenos índices de audiência nos jogos de Flamengo e Corinthians, resolveu protestar sobre a qualidade do futebol praticado e irá discutir alguns pontos com os clubes.

“Se o espetáculo não melhorar, o futebol irá morrer na TV aberta”

A questão é que a Rede Globo não pode, e não deve, apenas jogar o problema no colo dos clubes. É preciso que se posicione como parte do problema e responsável pelo pífio futebol praticado,

Problema por evidenciar ações como os adiantamentos para dirigentes folclóricos e que não irão reinvestir em futebol, ou quando visa a polaridade ao definir regras irreais para distribuição da renda de TV, ou mesmo trata o seu grande produto como instrumento político ao invés de caracterizá-lo como um negócio e defender a sua melhoria e otimização com pontos como calendário, horários e a gestão dos clubes.

Ela é parte dos 7×1.

Espero realmente que esse caráter proativo da Rede Globo seja um grande catalizador para que as mudanças que todos esperam ocorram, ou que pelo menos ela utilize seu poder para exigir melhorias e trate o futebol brasileiro com maior dignidade.



Empreendedor, formado em Administração e Gestão de Projetos. Acha que a assistência é mais importante que o gol e sempre quis ser um camisa 10, mas foi no máximo a 2. Enxerga o esporte mais do que as quatro linhas, acredita ser um negócio, uma manifestação social, uma experiência única. Espera transformar o futebol brasileiro em uma Champions League.