Opinião: Renovação do futebol também passa pela arbitragem

Após a Copa do mundo, muito se falou sobre a necessidade de uma renovação no futebol brasileiro. Que é preciso reinventar tal e coisa e coisa e tal. Mas outro assunto envolvendo o esporte não vem sendo tratado da forma que merece, apesar de estar diretamente ligado ao futebol.

A arbitragem

Há uma discussão enorme sobre calendário, pagamento de dívidas, prestação de contas dos clubes, cotas de TV e por aí vai. Porém, ouço falarem pouco da arbitragem, que em nosso país tem sabatinas semanais de torcedores, jogadores e imprensa – mea-culpa – por erros cometidos na rodada do fim de semana.

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Como renovar o futebol sem ter um olhar mais atencioso para a arbitragem? Não quero dizer que isso seria a solução dos problemas de arbitragem, para mim a solução vai muito além de apenas assinar a carteira de trabalho dos chamados “donos do apito”. E é exatamente aí que entra a importância de se profissionalizar a arbitragem.

No Brasil, os juízes de futebol têm sua vida profissional fora do esporte, o que muitas vezes não deixa tempo para que ele estude e se prepare física e psicologicamente, para os jogos. Ou seja, ele é tratado como amador, porém é cobrado como um profissional. É como se tivéssemos uma aeronave cheia de passageiros sendo conduzida por um contador, que com algumas orientações e pesquisas aprendeu a pilotar, mas não o faz diariamente, não pensa como piloto todos os dias – ao menos não na execução de sua real profissão, contador – e, por isso está mais sujeito a erros. Uma hora isso vai acabar em tragédia, ninguém vai querer saber se ele estava preparado ou não, apenas irão julgá-lo como profissional de aviação e ponto final.

Bilhões são movimentados todos os anos no Brasil pelo futebol, o que envolve muitos ganhos e prejuízos. Analisando racionalmente, as empresas sempre buscam os profissionais qualificados para participarem de seu processo de crescimento e cobram que estejam preparados para o desafio, mas até chegar o processo de ser cobrado, na maioria das vezes o profissional se preparou e está pronto para resistir à pressão. Por que teria de ser diferente com o esporte? Dar ao arbitro condições para se preparar é questão de justiça.

É preciso que a arbitragem seja incluída nesta busca por um futebol melhor, afinal, são eles que comandam o espetáculo, alguns erros e acertos podem decidir partidas e campeonatos, ninguém escolhe errar – se escolhe é desonesto e contra isso não há recurso – mas, todos podem se preparar para absorver e superar suas falhas.