Palmeiras: o time que não consegue olhar pro futuro

Paulo Nobre assumiu a presidência do Palmeiras com um discurso de mudanças, entre elas a modernização do clube como instituição e a implantação da meritocracia e de outras técnicas modernas de gestão empresarial. Foi eleito presidente e salvador da pátria verde por boa parte da torcida, o homem que conseguiria impor uma gestão profissional após décadas de amadorismo inconsequente.

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A despeito desse discurso, o Palmeiras pensa no futuro olhando para trás. Na questão do futebol, o passado é sempre presente. Nos últimos anos, antes da e durante a “Era Nobre”, a solução para todos os problemas no campo parecia ser resgatar os tempos vitoriosos vividos em décadas passadas. Assim, vieram Felipão, Kleber Gladiador, Henrique. O maior expoente dessa (falha) tentativa de voltar ao pretérito é o sempre e nunca salvador Valdivia. O chileno é o símbolo de algo que nunca aconteceu, tanto no passado quanto no presente, e provavelmente não vai acontecer no futuro. É o craque que os palmeirenses esperam eternamente jogar com regularidade e levar o time a outro patamar – e sempre enganam a si mesmos voltando indefinidamente para essa expectativa. Mesmo quando o Palmeiras parecia seguir o conselho de caleidoscópio Herber Viana (“Se tudo tem de terminar assim/Que pelo menos seja até o fim/Pra gente não ter nunca mais que terminar”), o Mago voltou para o Brasil sem acordo com os árabes.

Nos últimos dias, outro que voltou a figurar entre os pretendidos pela diretoria foi Diego Souza. O bom, porém irregular, meia saiu brigado com a torcida em 2010 e agora já vemos os mesmos torcedores exaltando-o como o craque que vai salvá-los de novo rebaixamento. Antes dele, Cleiton Xavier também foi indicado como provável contratação.Por fim, afirmação de Joseph Blatter sobre o provável reconhecimento da Copa Rio de 1951 como primeiro campeonato mundial interclubes da história vem reforçar o saudosismo dos palmeirenses. Eles já se movimentam nas redes sociais pregando o orgulho por um título que, infelizmente, não viram. Um título que é, sim, importantíssimo, mas não vai ajudar em nada a situação do clube atualmente.

Mais do que uma mania de olhar para trás, o saudosismo no Palmeiras indica a falta de perspectiva no futuro e a frustração do presente. Sem sucesso na formação ou contratação de novos talentos, torcida e clube buscam a volta do sucesso com antigos jogadores. Na falta de troféus na atualidade, comemoram o reconhecimento de um título de 63 anos atrás.

Apesar dos aspectos positivos da presidência de Paulo Nobre, o empresário, quando ameaçado pela má fase em campo, também volta seus olhos para o passado do Palmeiras. Incapaz de manter um time por mais de seis meses, a diretoria reforça esse ciclo vicioso de saudades de tempos áureos (ou pelo menos não tão sofridos) e falta de esperança no futuro. E a pobre e maltratada torcida palmeirense, sem saber no que acreditar, entra junto nesse barco.



Jornalista formado pelo Mackenzie. Fã de futebol, tanto nacional quanto europeu.