São Paulo – Comandante em má fase

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O São Paulo mais uma vez decepcionou seu torcedor e vai ficando para trás na tabela do Brasileirão.

 

Depois de perder para o Chapecoense, apenas empatou com o Criciúma mesmo saindo na frente do placar diante de mais de 46 mil pessoas no Morumbi.

 

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Contra o Chapecoense foram 43 mil a lamentar a derrota por 1 a 0.

 

Eram seis pontos certos para os especialistas, para o corpo diretivo do clube e para os torcedores, afinal o São Paulo fez intertemporada em Orlando, treinou por mais de trinta dias e voltou da pausa para a copa do Mundo jogando um futebol de encher os olhos, vencendo o Bahia em Salvador por 2 a 0 com autoridade.

 

Mas, neste caso a primeira impressão não é a que fica.

 

Os comandados de Muricy Ramalho voltaram da intertemporada dentro do G4 e apenas a três pontos do líder Cruzeiro.

 

Bastaram quatro rodadas para que a diferença entre o Tricolor e a Raposa subisse para nove pontos.

 

Graças ao desempenho ruim da equipe que em doze pontos possíveis ganhou apenas 4, quando o planejado era que conquistasse nove ou até mesmo dez.

 

Talvez nenhum dos grandes clubes, pelo menos na teoria, tinha uma tabela tão camarada como a que se apresentava ao São Paulo depois da pausa.

 

Bahia fora de casa, Chapecoense no Morumbi, Goiás fora, Criciúma em casa e Vitória também em casa.

 

O elenco foi reforçado com a vinda de Kaká que até agora só jogou na derrota contra o Goiás.

 

Luis Fabiano voltou a sofrer com suas contusões musculares e ainda não voltou.

 

De qualquer forma o elenco mostra-se bem servido de atacantes e meias, o que já não acontece se observarmos a parte defensiva.

 

Muricy Ramalho foi um dos técnicos que mais tirou proveito da parada forçada em razão da Copa do Mundo, em 2006 e em 2010 dirigindo São Paulo e Fluminense respectivamente, conquistou o Brasileiro.

 

Será que agora o técnico não soube aproveitar o tempo que tinha para “azeitar” seu time?

 

Será que com tantas opções ofensivas Muricy acabou se perdendo?

 

Ele admite que ainda esta buscando a formação ideal, mesmo com tanto tempo para faze-lo antes da volta ao campeonato local.

Até agora o São Paulo não repetiu a mesma escalação e vem mudando jogo a jogo sua forma de jogar, ora com três zagueiros, ora com três atacantes, ora com três marcadores no meio.

 

Muricy visivelmente tenta deixar de lado o esquema que o consagrou, com forte marcação, jogando no erro do adversário, usando e abusando das bolas paradas e dos cruzamentos na área, para um jogo mais técnico, de toque, valorizando a posse de bola, como fazem as principais seleções Européias.

 

O problema é que até agora, este modelo só deu certo contra o Bahia, nas demais partidas o que se viu, foi um time sem profundidade, sem criatividade, sem objetividade, tocando a bola de lado e pouco agredindo o adversário.

 

Chapecoense e Goiás perceberam que fazendo uma forte marcação, congestionando o meio campo e jogando nos erros defensivos do time de Muricy poderiam chegar a vitória, e realmente acharam o mapa da mina.

 

O sistema defensivo do São Paulo vem mostrando grande dificuldade para conter o jogo aéreo dos adversários, os volantes e zagueiros por vezes não fazem a cobertura dos laterais quando estes sobem ao ataque, criando verdadeiras avenidas nos flancos.

 

Falta sintonia ao time para se compactar, se organizar defensivamente quando perde a bola, e isso só vem com os treinamentos do dia a dia.

 

Outro ponto questionado é o aproveitamento do elenco.

 

Será que Muricy esta realmente tirando o máximo do grupo que tem?

 

O jogo contra o Bragantino pela Copa do Brasil era uma grande oportunidade para testar algumas peças pouco aproveitadas, dar ritmo a alguns garotos, variar o esquema, afinal de contas o adversário apesar de mandante jogava fora de seus domínios e era o vice-lanterna da serie B do Brasileiro.

 

Muricy preferiu manter-se na zona de conforto e deixou em campo uma equipe mais experiente sob o pretexto de que precisava vencer já que o time vinha de duas derrotas seguidas no Brasileiro, perdendo assim ótima oportunidade de observar algumas peças e mudar o esquema tático usado na partida.

 

Contra o Criciúma o São Paulo deixou de lado os três atacantes e reforçou o meio campo colocando Denílson na marcação ao lado de Souza, liberando Maicon (que não é volante) para se aproximar de Ganso e dos atacantes Pato e Kardec.

 

O time como esperado, mais uma vez teve posse de bola e volume de jogo mas errou demais na finalização.

 

Jogando contra um adversário acuado, Muricy poderia abrir mão de um jogador de marcação e tornar o time mais agressivo mas mais uma vez optou pela zona de conforto e não mexeu no esquema, trocando apenas um atacante pelo outro – Pato por Ademilson.

 

O garoto Boschilia só foi entrar nos minutos finais quando pouco podia fazer para mudar o panorama da partida.

 

Muricy é um dos treinadores mais vencedores da historia do São Paulo, foi o responsável direto pela permanência do time na primeira divisão do Brasileiro em 2013, mas é inegável que vive um mau momento na carreira.

 

Talvez esteja acomodado, já que Carlos Miguel Aidar o garantiu no cargo enquanto for presidente – embora isso não represente nada já que apenas os resultados são capazes de segurar um treinador em uma equipe -.

 

O que se cobra é um time com padrão definido, eficiente, um time organizado, compacto na defesa, com variações táticas, além de chances a jogadores com ótimo potencial mas pouco aproveitados.

 

Será que jovens com Auro, Boschilia e Ewandro não merecem mais oportunidades?

 

Será que Hudson considerado um dos melhores volantes do Paulistinha – foi escolhido para a seleção do campeonato – não merece mais chances de mostrar serviço em um setor carente da equipe?

 

O papel aceita tudo, difícil é transformar os nomes, os planos, os esquemas táticos em realidade!

 

Conseguirá Muricy chegar a um ponto de equilíbrio?

 

 

Só o tempo irá dizer.

 

É isso!

 

Vamos falando!

 

Abraços!

 

Marcello Lima