UFC admite ‘derrota’ para Mayweather; entenda

O presidente do UFC, Dana White, não tem nada de bobo. Ciente de que não poderá concorrer em termos de pay-per-view com o boxeador norte-americano Floyd Mayweather, ele tomou a decisão mais acertada: escalou um card fraco para evitar queimar cartuchos.

No dia 13 de dezembro, “Money” fará a segunda luta contra o argentino Marcos Maidana. A data é a mesma do UFC Fight Night que acontecerá em Brasília. A luta principal? Antônio Pezão contra o ex-campeão dos pesos-pesados (120 kg) do UFC Andrei Arlovski. Se dificilmente uma luta até mesmo de Anderson Silva ou Ronda Rousey seria suficiente para combater Mayweather em número de pay-per-views, o manda-chuva do UFC foi inteligentíssimo ao escalar um card sem maiores pretensões.

Para se ter uma noção do que a luta principal representa: revanche entre dois lutadores que buscam reencontrar a melhor forma no octógono. Nada de disputas de cinturão ou lutas que credenciem um dos lutadores ao posto de próximo desafiante de suas divisões.

Brasiliense, Pezão vem de um empate contra Mark Hunt em dezembro do ano passado, na Austrália. Antes disso, ele fora nocauteado no primeiro round pelo campeão dos pesos pesados, Cain Velásquez.

Arlovski, por sua vez, decepcionou em seu retorno ao UFC depois de seis anos longe da organização em que foi campeão em 2005. Em uma luta horrível, venceu o americano Brendan Schaub no UFC 174, em junho, no Canadá. A ponto de Dana White dizer o seguinte: “Sabe quem perdeu com essa luta? Os fãs. Os primeiros rounds poderiam ter ido para qualquer um, e o terceiro o Schaub venceu. Foi um grande erro eu ter colocado essa luta no card principal. Deveria ter acontecido no preliminar”, disse.

Pezão e Arlovski já se enfrentaram pelo Strikeforce, há quatro anos. E o brasileiro levou a melhor na decisão unânime.

E Mayweather com isso? Bom, Money movimenta tanto dinheiro em suas transmissões que competir com ele é inútil. Assim como no ringue, onde tem 46 vitórias em suas 46 lutas, ele é invicto nesse terreno. Só na primeira luta contra Maidana, em maio deste ano, ele embolsou R$ 85 milhões (US$ 38 milhões) em pay-per-views. Com a bolsa, o americano amealhou R$ 156 milhões (US$ 70 milhões). Tudo por apenas um combate. Em setembro do ano passado, Dana White revelou que a maior bolsa já paga no UFC foi de “apenas” R$ 11,3 milhões (US$ 5 milhões). Eis o primeiro motivo para não escalar um campeão para lutar em Brasília.

Além disso, Mayweather, há alguns anos, adota uma “agenda” fixa, com lutas em maio (próximas ao feriado mexicano de Cinco de Mayo) e setembro (perto do dia 16, data da independência do México). Isso acontece desde que o super campeão venceu o americano com origens mexicanas Oscar de La Hoya, em em cinco de maio de 2007 (a exceção ficou por conta da luta seguinte, contra Ricky Hatton, que aconteceu em dezembro de 2009). Os sete combates seguintes, inclusive a primeira luta contra Marcos Maidana, aconteceram sempre em setembro e/ou maio.

Dana White certamente sabia disso e, com um evento agendado possivelmente para o mesmo sábado em que Mayweather lutaria, já se programou para não “gastar” fichas. E fez o certo: enchou o card de brasileiros e vai torcer para acabar cedo. Assim, os fás estrangeiros poderão ver o UFC na íntegra e, depois, acompanhar Mayweather.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.