A briga de dois São Paulos: qual é o verdadeiro?

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Há exatos dez dias, o meu discurso, o seu e o de todos que acompanham futebol seguia a mesma linha: “O São Paulo está dando gosto de ver; está jogando o melhor futebol do país; dá pra sonhar com o título sim.”

E todo aquele emaranhado de elogios carregava extrema justiça após atuações seguras e convincentes, inclusive frente ao líder e time a ser batido neste campeonato.

Assim, nos permitimos sonhar. O G4 soava como algo muito inferior ao que poderíamos almejar. Nossa briga se tornara, de fato, pelo hepta.

Foi assim, com euforia e confiança que partimos à Curitiba para enfrentar um dos lanternas do campeonato. Sem os líderes Rogério Ceni e Kaká, a equipe nada produziu e saiu de campo com uma derrota inesperada.

Tudo bem, foi apenas um deslize.

Partimos, então, para o clássico frente ao Corinthians para exorcizar fantasmas e colar no Cruzeiro. Com dois gols de bola parada e mais nada, sucumbimos para o rival com atuação muito abaixo do esperado. Juíz polêmico e ausência de Pato caíram como boas desculpas.

A sequência da tabela, então, nos possibilitaria jogar duas em casa seguidas contra os cariocas Fla e Flu para retomarmos a confiança e seguirmos a incansável caça à raposa.

Desta vez, o ‘quadrado mágico’ das 7 vitórias em 7 jogos estaria completo novamente. Nada, então, poderia brecar o São Paulo desta vez. Agora vai!

Mas não foi! A equipe teve um novo apagão e por pouco, muito pouco, não saiu derrotada para o Flamengo. Aliás, Flamengo este que merecia sair vitorioso do Morumbi. Juíz (que outrora nos prejudicou e desta vez deu uma força) e Luís Fabiano (que entrou com muita vontade e oportunismo) salvaram o Tricolor de nova derrota em casa.

O quadrado não foi nem perto daquele que vinha encantando o país. A defesa, que apesar de ser fraquíssima, teve boas atuações rodadas atrás, voltou a ser fraquíssima. Volantes e laterais perdidos. Menção desonrosa ao Sr Michel Bastos que foi expulso pela segunda vez em 5 jogos. Isso é inadmissível! É esse o polivalente que contratamos?

E como diria um amigo meu, uma coisa nunca dá errado sozinha. Ela sempre vem seguida de uma sequência de problemas. E é verdade. Tanto que até o Rogério, apesar da excelente cobrança no primeiro pênalti, teve atuação péssima. Isso sem contar na substituição de Muricy, tirando Pato que era o melhor lá da frente no jogo.

O que todo mundo quer entender é uma coisa só: qual é o São Paulo de verdade? Aquele de atuações dignas de disputar o título (Internacional, Sport, Botafogo, Cruzeiro) ou aquele das atuações pífias (Coritiba, Corinthians, Flamengo)?

Que São Paulo é você, São Paulo?



Redator publicitário e editorial, colunista no site Por Baixo das Pernas e depoente no filme Soberano 2. Acredita que mulher, cerveja e futebol são os propósitos da vida.