Atlético-MG vence clássico, quebra tabu e se aproxima do G4

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Atlético–MG e Cruzeiro fizeram um clássico digno da tradição histórica que o confronto representa. O Galo venceu o rival pela primeira vez desde que o Mineirão foi reinaugurado, após a reforma para a Copa do Mundo.

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A ponta da tabela não muda em nada: o time celeste continua líder, com sete pontos de vantagem 49 contra 42 do segundo colocado São Paulo. Já o alvinegro se aproximou do G4 com o triunfo por 3 a 2, ocupando agora a 5ª colocação com 37 pontos.

O Jogo

A primeira surpresa da partida veio com a escalação apresentada por Levir Culpi. Afinal, todos sabem do poder ofensivo celeste, que tem um dos melhores ataques do campeonato. Culpi armou a equipe com apenas um volante, Leandro Donizete.

Nas laterais, jogaram Marcos Rocha e o contestado Emerson Conceição. A zaga não mudou: jogaram Leonardo Silva e Jemerson. Surpresa também com a não escalação de um centroavante fixo, com um time extremamente agudo contra o líder do campeonato. Tardelli, Carlos, Luan, Guilherme e Dátolo, formaram o meio e o ataque.

Já o Cruzeiro não apresentou surpresas: foi com Fábio, Egídio, Mayke, Dedé e Léo; Lucas Silva, Henrique, Ricardo Goulart, Éverton Ribeiro e Alisson; Marcelo Moreno completou o time azul.

Quem começou quente no jogo foi o Cruzeiro, que acertou a trave logo a um minuto em um belo chute de Alisson, Victor apenas observou. A pressão foi aumentando e o Galo se via cada vez mais encurralado em seu campo. Tanto que a equipe só conseguiu chegar com real perigo ao gol de Fábio aos 37 minutos, felizmente para a Massa a pontada atleticana resultou no gol de Carlos, os cruzeirenses reclamaram impedimento na jogada, mas Éverton dava condições ao jovem atacante que marcou após receber uma bola ajeitada com “açúcar” por Luan. Galo 1 a 0.

O time da toca sentiu o gol e sua defesa, ainda atordoada, não conseguiu cortar o cruzamento de Dátolo para Diego Tardelli, que entrou rápido por trás da zaga e só teve o trabalho de empurrar pra dentro das redes de Fábio, que nada pode fazer.

Ao final do segundo tempo, uma grande jogada de Ribeiro – ele tem essa mania – o meia deixou Conceição e Jemerson para trás em jogada de velocidade pela direita, foi a linha de fundo e cruzou para Ricardo Goulart colocar fogo na partida, aos 46 minutos da primeira etapa. A volta do intervalo prometia mais emoções e gols ao torcedor presente no gigante da Pampulha.

Veio a segunda etapa e parecia que não teve intervalo, não houve mudanças nas equipes e na atitude. O Cruzeiro atacava e o Galo se defendia como dava, até que aos 6 minutos Éverton cruzou da esquerda, Moreno ajeitou e Alisson de voleio fez um golaço, empatando a partida e incendiando de vez a partida. O Mineirão quase veio abaixo com a torcida celeste, que voltou a acreditar na vitória, afinal o time não havia sido derrotado como mandante no Brasileiro 2014.

Cruzeiro v Atletico MG - Brasileirao Series A 2014

Faro de artilheiro

Mas como dizem, Atlético e Cruzeiro é um campeonato à parte e quando menos se espera o imprevisível dá as caras. O time azul foi superior em vários momentos da partida, chegando a ter mais de 60% da posse de bola em alguns momentos do jogo. A pressão era imensa pra cima do Galo, tudo indicava que a qualquer momento o time de Levir tomaria o gol. Porém o destino elege os seus.

Como diria o já falecido treinador Gentil Cardoso, “Quem se desloca recebe, quem pede tem a preferência”. Foi exatamente o que Carlos fez. Enquanto Leandro Donizete procurava uma opção para fazer o cruzamento na área, o atacante levantou a mão esquerda para pedir a bola e se deslocou por trás de Dedé, se Donizete já ouviu falar no Gentil não se sabe, mas que o cruzamento dele foi na medida, ah isso foi.

Os 51.069 torcedores pagantes presentes ao Mineirão viram o jogador de 19 anos usar seu faro de artilheiro e marcar seu segundo gol na partida, um privilégio para poucos em clássico. Desde de que o Atlético adotou o Independência como local de mando de seus jogos, o Galo não vencia o rival no Mineirão. Carlos fez história e ajudou a quebrar um tabu.

O presidente Alexandre Kalil dedicou a vitória a memória de seu pai Elias Kalil, que também foi presidente do clube, neste domingo completaram-se 21 anos da morte dele.

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