Atuações do Grêmio não mostram nada de novo em Felipão

O Grêmio estava a apenas três pontos do G-4 quando Enderson Moreira foi demitido do cargo na 12ª rodada. Não havia, portanto, motivos convincentes para dispensar o treinador, mas o presidente Fabio Koff não resistiu e trouxe de volta seu amigo Luiz Felipe Scolari, dono de grande identificação com o clube, embora em péssimo momento após o vexame na Copa do Mundo.

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Algo improvável de se imaginar até então, Felipão, ao menos para metade de Porto Alegre, foi recebido como herói. Sob seu comando, o Grêmio disputou 11 jogos, venceu seis, empatou dois e perdeu três, um deles pela Copa do Brasil, competição da qual o time foi eliminado sem poder jogar a partida de volta devido à punição por atos racistas contra o goleiro Aranha, do Santos.

Os números levaram a equipe gaúcha à quinta colocação, um ponto atrás do Corinthians, último integrante da zona de classificação para a Libertadores da América. E para isso Scolari aplica estilo semelhante ao que foi visto na seleção brasileira durante o torneio disputado em casa. Time firme defensivamente (o melhor do campeonato no quesito), eficiente nos desarmes, faltoso, com dificuldades na criação e abusos das bolas longas. Pragmatismo na veia. Ou seja, nada de novo.

Gremio v Chapecoense - Brasileirao Series A 2014

De acordo com o Footstats, desde que Felipão assumiu, o Grêmio tem média de 26,7 desarmes por partida, algo próximo do que era na seleção (29,6). A quantidade de lançamentos por jogo, grande parte deles à base do “vamos ver”, é quase igual (42,6 x 42,1), com 36% de acerto para os gremistas, e 40% para o escrete canarinho, que foi o segundo mais faltoso entre os participantes da Copa, cometendo 17,1 por partida. Já o tricolor tem média de 15,6.

A maior diferença se dá em relação aos gols marcados. Se a seleção balançou as redes 11 vezes (1,57 por jogo), o Grêmio mostra-se econômico no quesito, com apenas oito (0,8 por jogo). Mas, na Copa, Scolari contava com Neymar, capaz de elevar tais números.

Os métodos que ajudaram a afundar a seleção há pouco mais de três meses são suficientes para ter chances de disputar uma Libertadores no ano que vem. Não é preciso muita coisa para sonhar alto por aqui.

*Os números do Grêmio no Footstats não levam em conta a partida contra o Santos pela Copa do Brasil.

Fotos: Getty Images



Estudante de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e alucinado por futebol.