Felipão e Grêmio: um ajudando o outro a se manter Imortal

28% de gols. Essa é a porcentagem do Grêmio sob o comando de Felipão. À frente da equipe há sete rodadas (estreou contra o Inter, em agosto), o treinador fez com ela o que ele melhor sabe fazer: montar retrancas.

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Ah, caro leitor, se você achou que aquela porcentagem se referia ao poderio ofensivo do time, se enganou. Ou eu que te enganei. Desculpe se foi a segunda, não era minha intenção. Bem como não era a intenção de Felipão deixar de ser o técnico compentente que sempre foi. Sofreu apenas quatro gols, em sete jogos, desde que voltou a comandar o Grêmio. Não é pouca coisa.

Pode se questionar algumas de suas decisões e atitudes, mas é fato que onde Felipão põe a mão, o cenário melhora, pelo menos um pouco. Para o Palmeiras, em 2012, foi assim. O time era feio de doer, mas ganhou a Copa do Brasil e foi o primeiro (e único) título decente que o verdão conseguiu em muitos anos de sua história recente.

Com o Grêmio de 2014 parece que a mesma história está sendo reescrita. O time do Grêmio está longe, muito longe de ser um time de encher os olhos. É uma equipe, em suma, mais esforçada do que talentosa. Conta com a qualidade acima da média de Giuliano (que, na verdade, ainda não mostrou a que veio), dos garotos Dudu e Luan e do centroavante Barcos, matador como sempre.

Também tem como trunfos a experiência de Zé Roberto, a raça de Rhodolfo e a segurança de Marcelo Grohe, mas, acima de tudo, o tricolor gaúcho tem sido fiel às suas raízes e tem demonstrado, do seu jeito, porque é o Imortal.

Os números, aliás, mostram que o grande diferencial da equipe está em seu comandante, que vem mostrando que sua especialidade no futebol é tirar leite de pedra. Quando assumiu o time, na 14ª rodada, o Grêmio ocupava a 11ª colocação.

Desde então, a pior posição em que a equipe se colocou sob a batuta de Felipão foi a 10ª, na 16ª rodada, ou seja, ainda no início do trabalho de Scolari à frente da equipe.

Jogando um futebol pragmático, com privilégio à defesa, em detrimento do ataque, o tricolor gaúcho é (e isso já é chover no molhado) o retrato fiel do que Felipão quer que seus times sejam. Há quem goste e há quem deteste isso, mas os resultados mostram que ainda é eficiente.

A goleada para a Alemanha (sempre ela), sofrida por Scolari jamais será apagada de seu histórico. E, inclusive, acredito agora, vendo o desempenho do Grêmio e comparando com trabalhos anteriores de Felipão, que ela veio porque o treinador tentou fugir do seu estilo e não soube contornar a situação quando precisou. Foi traído pelo destino, justamente por ter traído a si mesmo. A bola pune, como diz Muricy.

A questão, neste caso, porém, é que o Grêmio agora é um real candidato ao G4, coisa que ninguém imaginava há poucos meses. Não somente tem feito sua parte (do seu jeito feio de fazer), como os adversários têm vacilado muito: Corinthians, Fluminense, Inter e até Atlético-MG, são bons exemplos disso.

Quem disse que não há vida após a morte, não conhece Luiz Felipe Scolari. Conhece menos ainda o Imortal Tricolor.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...