O Atlético-MG, enfim, engrenou na temporada?

Quando, aos 45 do segundo tempo, em um Mineirão lotado, sendo a maioria formada por torcedores cruzeirenses, Carlos subiu mais alto que toda a zaga celeste e mandou a bola pro fundo da rede de Fábio pela terceira e última vez no jogo, somente o atleticano mais fanático acreditou no que estava acontecendo.

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A vitória conquistada na raça pura, já no final da partida, depois de ter ficado duas vezes à frente do placar e visto o maior rival e líder absoluto do campeonato empatar, veio com um gosto tão saboroso que aposto que ainda nem saiu da boca da parte alvinegra de BH.

O time não somente conseguiu derrubar o virtual campeão brasileiro, como quebrou a invencibilidade cruzeirense em jogos como mandante no Brasileirão e foi o único time a terminar os duelos contra a Raposa sem ter deixado um pontinho sequer para trás.

Tais feitos já seriam empolgantes por si só, dado todo o contexto. Contudo, eles mostram um time com um bom poder de fogo ainda, contrariando aqueles que viram a implosão do Galo poderoso da temporada passada, principalmente após a saída de Ronaldinho e a queda de rendimento de Jô.

O triunfo diante do Cruzeiro nessa última rodada foi o segundo consecutivo da equipe fora de casa e o terceiro jogo sem perder. A despeito das quedas diante de Corinthians e Flamengo, o Atlético-MG conseguiu, nas últimas 10 partidas, cinco vitórias, três empates e apenas essas duas derrotas já mencionadas. E em ambas, é bom que se diga, o time vendeu caro os três pontos.

Há alguns pontos, em especial, que acredito que possam explicar melhor essa percepção de que, talvez, o Atlético-MG tenha engrenado. E são eles:

O respaldo de Levir Culpi

Atletico MG v Botafogo - Brasileirao Series A 2014

A evolução da equipe neste período passa, diretamente, por modificações entre os titulares e, principalmente, maior imposição de Levir Culpi diante do elenco. O comandante conseguiu conquistar o respeito dos atletas que, em contrapartida, demonstram maior dedicação em campo, vontade de ganhar e alinhamento com os conceitos do treinador.

Não me parece somente uma coincidência o fato de o time ter subido de produção depois que Jô foi, finalmente, relegado à reserva, Marcos Rocha ter encarado um período instável, se machucando muito e dando, portanto, chance a Alex Silva e outros concorrentes e Luan foi instigado a provar que era mais que um talismã.

Os três foram, no ano passado, peças importantes no time, porém, se apoiavam muito em Ronaldinho. Se analisarmos bem, os três vibravam muito com Ronaldinho em campo. Parece que jogavam por ele, não pelo Atlético-MG, o que é um grande equívoco.

A evolução de Diego Tardelli

Outro fator importante para o crescimento do Galo nesses últimos meses foi o consolidação de Diego Tardelli como o homem de referência do time, algo que, aliás, já merecia (e deveria) ser faz tempo.

Ele assumiu, com muita honra e gana, a condição de jogador mais importante do elenco, tanto na questão técnica, quanto na tática e, principalmente, moral. É visto como um jogador extremamente profissional (quem diria!?), dedicado e leal às orientações do treinador. O prêmio para isso tudo foram convocações para a seleção brasileira. E para o Atlético-MG “restou” a satisfação de ter visto seu esforço e investimento feitos em Tardelli finalmente renderem os frutos esperados.

Com Tardelli em campo, o time demonstra mais criatividade e efetividade nas finalizações, algo que, nem de longe, é igual quando Tardelli não está presente. Nos dois jogos mais recentes em que o camisa 9 não pôde atuar, por estar na seleção, o time até venceu ambos, mas jogando um futebol mais feio que a fome. Inclusive, vale ressaltar que um desses jogos foi contra um Palmeiras cambaleante, no jogo de volta da Copa do Brasil, que já havia sido vencido na ida.

A metamorfose de Luan

Chapecoense v Atletico MG - Brasileirao Series A 2014

Longe de desmerecer os méritos daqueles que representaram as cores do Galão da Massa nesse período, mas foi evidente a dificuldade em fazer a bola rolar redondinha em campo. Um dos que mais chegou perto de conseguir isso foi Luan, mais um que pode ser considerado um dos pilares do fortalecimento atual do Atlético-MG.

Depois de tanto entrar durante jogos difíceis apenas para “incendiá-los”, Luan parece que cansou dessa vida e decidiu que era hora de ser mais que aquele que só entra para dar um gás na partida. Virou titular e tem tido papel importantíssimo nesse atual momento.

Outros aspectos importantes

Guilherme, Carlos e Dátolo são mais nomes que merecem menção nesse artigo. Os três foram importantes em momento cruciais ao longo da temporada e, em especial os dois primeiros, com seus gols nos últimos dois jogos, ajudaram a colocar o time no patamar que hoje motivam essa análise.

É evidente que no futebol é muito complicado dizer, com toda a certeza do mundo, que uma equipe encaixou e dificilmente será abatida. Algo assim foi feito com o São Paulo há duas rodadas e, de lá para cá, ele acumulou duas derrotas. O futebol não é nem um pouco cartesiano e, por isso mesmo, é tão encantador.

Mas se for julgar pelos próximos adversários do alvinegro, Santos (casa), Vitória (casa) e Criciúma (fora), já é mais seguro fazer um prognóstico otimista do que o contrário.

Principalmente porque os dois clássicos que o Atlético-MG tinha no calendário, já foram disputados. Esse tipo de jogo é, sabidamente, o mais cascudo para um time brasileiro.

Ele está a 3 pontos do G4. Verá, de camarote, Inter x Cruzeiro, Cruzeiro x Corinthians e “otras cositas” más acontecerem, ou seja, concorrentes diretos tirando pontos uns dos outros.

Bom…pode ser que esteja pintando o campeão. Pelo menos do returno. O que já garante uma vaguinha na Libertadores: e isso é um baita negócio!

Fotos: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...