Opinião: Dominick Cruz merece furar a fila e disputar cinturão no UFC

O presidente do UFC, Dana White, garantiu que o ex-campeão dos pesos galos (61 kg), Dominick Cruz, será o próximo desafiante ao atual dono do cinturão, TJ Dillashaw. A confirmação de Dana veio na madrugada deste domingo (28), após o nocaute aplicado por Cruz no japonês Takeya Mizugaki, em seu retorno ao octógono após quase três anos, no UFC 178.

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“Ninguém faz aquilo com Mizugaki. Ninguém. E ele não perdeu seu cinturão lutando, ele é o homem mais azarado do mundo. Ele é o cara”, afirmou Dana. E ele tem razão. Dominick Cruz merece, sim, furar a fila em direção ao título dos pesos galos. Apesar de ser apenas o 10º lugar no ranking do peso, Cruz é a bola da vez. Vejamos o porquê.

O norte-americano já chegou ao UFC como campeão dos galos via WEC, evento em que ele, Renan Barão, José Aldo, Urijah Faber e outros lutadores trabalhavam. O WEC foi comprado pelo UFC. Como detinha o cinturão dos galos no lá, Cruz automaticamente seguiu campeão na nova casa.

Depois de duas lutas em 2011 (vitórias sobre Urijah Faber e Demetrius Johnson, que ainda não era o rei dos pesos moscas), o joelho esquerdo de Cruz ligou o sinal de alerta. Ele foi submetido a duas cirurgias e teve uma recuperação complicada. Como é comum em casos como esse, o UFC criou um cinturão interino em 2012, que foi conquistado por Renan Barão.

Quando Cruz dava sinais de que, enfim, voltaria a lutar, o duelo entre ele e Barão foi agendado para o UFC 169, que aconteceria em fevereiro de 2014 em Newark, nos EUA. Mas o campeão linear lesionou a virilha e, de novo, ficou de fora. Acabava ali o reinado de Cruz e iniciava o de Barão. O americano foi destituído do cinturão e o brasileiro ganhou o título definitivo. A situação foi a mesma da de Frank Mir, que perdeu o cinturão dos pesados em 2005 após um grave acidente de motocicleta.

Cruz perdeu para ele mesmo, e não para outro adversário. E tratou de mostrar que está de volta. O nocaute avassalador sobre Mizugaki foi o suficiente para provar ao UFC de que ele merece, ao menos, tentar reconquistar o título que nunca perdeu lutando.

Mas dois brasileiros poderiam alegar que seriam prejudicados: Renan Barão e Raphael Assunção. Ambos estão mais bem colocados no ranking dos pesos galos do que o ex-campeão. Barão é o número 1 e Assunção é o 3º (o número 2 é Urijah Faber, que foi derrotado por Barão em fevereiro e não deve ter outra chance tão cedo).

Barão só não teve a revanche contra TJ Dillashaw no UFC 177, em agosto, porque passou mal durante a pesagem. E não está em alta com Dana White. Já Raphael tem luta marcada para 4 de outubro contra o americano Bryan Caraway. Desde que baixou de categoria para os galos (lutava entre os penas), só venceu. São seis vitórias seguidas, entre elas, sobre Dillashaw em outubro do ano passado, antes de o americano ter conquistado o título. Apesar do bom momento, não enfrentou rivais do quilate dos demais.

Se Cruz for derrotado por Dillashaw, aí sim os brasileiros devem ganhar oportunidades. Barão deve fazer mais uma luta antes de disputar o cinturão. A tendência é a mesma para Raphael, que provavelmente subirá outra vez ao octógono após o combate com Caraway. As fichas estão com Dominick Cruz.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.