Opinião: Estar no novo estádio do Palmeiras no centenário valeu como um título

Reprodução/Twitter

O caos e a tragédia que pode ser o terceiro rebaixamento do Palmeiras em pleno ano de seu centenário não saem da minha cabeça desde o início do Brasileirão. Mas, no último sábado (27), tudo isso ficou um pouco de lado. Conheci, em São Paulo, o Allianz Parque, o novo estádio do Palmeiras. Valeu como um título.

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O caminho até o estádio foi tão normal quanto era para ver o bom e velho Palmeiras jogar no antigo Parque Antárctica. Pessoas nos bares em uma noite de sábado, o clima do bairro, a Rua Padre Antônio Tomás, o shopping que fica ao lado. Mas, ao dar a primeira olhada para cima depois de quase dois anos sem ir àquele lugar, a sensação foi quase indescrítivel.

Enquanto o Palmeiras estava ruindo nos últimos quatro anos, desde o fim do sonho da parceria com a Traffic, ali se erguia o estádio mais bonito do Brasil. Não vou negar que tenha doído ao ver o antigo Palestra Itália ser demolido. O estádio em que conquistamos a Libertadores de 1999, o local que recebeu Ademir da Guia, Oberdan Cattani, Marcos, César Maluco, entre tantos ídolos.

Pior ainda foi ver o Jardim Suspenso também ser modificado, perder o vão. Mas todo aquele sofrimento era para um bem maior. O novo estádio do Palmeiras é a arena mais bonita em que já estive. Conheci, na Copa do Mundo, a Arena Corinthians, que me deu uma impressão muito boa, apesar das gozações dos rivais que comparam o estádio corintiano a uma impressora. Pessoalmente, gostei muito da casa deles. Mas a nossa é sempre a nossa.

O primeiro espanto foi perceber que as chaminés do outro lado da Avenida Francisco Matarazzo não seriam mais vistas atrás do gol onde o Palmeiras ganhou a Libertadores há 15 anos. Também não haveria mais aquele prédio e suas luzes piscando na transmissão de televisão. O Allianz Parque me tirou um pouco de referências nesse sentido.

Ao passar pela entrada do antigo Setor Visa, vi um local moderno, com áreas amplas para circulação de torcedores, catracas modernas e bom atendimento dos funcionários da WTorre.

Ainda sem muita orientação espacial, fomos andando em direção às arquibancadas que receberiam os 3 mil convidados na apresentação do filme “12 de junho de 1993 – O Dia da Paixão Palmeirense”, que conta a história do fim do jejum de títulos que durou 16 anos até a conquista do Paulistão daquele ano com um 4 a 0 no Corinthians.

Subimos pela escada do setor marcado em nosso convite. Aí vai um ponto de crítica: achei as escadarias muito apertadas para a quantidade de pessoas que subiam naquele momento. Espero que nunca aconteça nada, mas em caso de evacuação rápida, espero que os torcedores possam sair sem sustos. Mas, subimos.

Quando percebi, eu estava nas arquibancadas inferiores do lado das piscinas, onde não havia nada no antigo Palestra. Até por isso, minha sensação de que estava em um local completamente diferente aumentou. Nada, nem um único detalhe me lembrava o estádio que o Palmeiras exibia com orgulho em uma época na qual nem todos os rivais tinham suas próprias casas.

A começar pelo campo. Parecia um tapete daqueles que a gente estendia na sala para jogar aqueles brinquedinhos de futebol dos anos 1990. Era normal, o problema estava com quem se acostumou a ver o Jardim Suspenso do velho Palestra. O antigo fosso agora não é mais visível, virou um espaço comum entre a arquibancada e o campo.

Quando o jornalista Mauro Beting começaria a apresentação do evento, as luzes se acenderam. Estava diante de mim o Allianz Parque. O campo iluminado me deu a sensação de primeiro mundo, algo que vimos muito na Copa do Mundo. Mas era um estádio com algo a mais. A cobertura e os instrumentos que permitem ao local ser uma arena multiuso deram um toque especial à cara do novo estádio do Palmeiras.

Com todos os convidados acomodados nas confortáveis cadeiras, Beting pediu que a torcida gritasse “Palmeiras” pela primeira vez na casa nova. Nesse momento, começamos a sentir que ali era o nosso lugar, a casa que poderá levantar um time abalado por sucessivas gestões ruins, elencos mal montados, jogadores sem compromisso com a história do clube, pressões exageradas por parte de torcedores que nem sempre colocam o Palmeiras em primeiro lugar.

O novo Palestra Itália é uma conquista que todo palmeirense deve comemorar. Sim, estamos na zona do rebaixamento. Sim, somos favoritos a mais uma Série B. Mas, como disse Mauro Beting em seu discurso inaugural, o Palmeiras foi campeão do século 20 pelo que fez a partir de 1920, ou seja, em 80 anos de história. Neste, ainda temos 86 para nos levantarmos.

A sensação de ver realizado o sonho de tantos palmeirenses, principalmente alguns que já nos deixaram antes de conhecer a casa nova, vi que estava fazendo história. Fui um dos 3 mil sortudos que acompanharam o surgimento do local onde o Palmeiras vai voltar a ser grande. No contexto atual, é o título que esperávamos no ano do centenário. E isso, nenhum elenco ruim ou medíocre é capaz de apagar.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.