Opinião: Sobre Tietê, Arrudas e alguns torcedores, é preciso sanear

A máxima que define o futebol como uma caixinha de surpresas, em alguns casos não deve ser levada em consideração. Esperar que o comportamento do torcedor seja diferente do que ele é, há anos, nos estádios de futebol é como acreditar que de uma hora para outra o Tietê, ou o Ribeirão Arrudas, comparando em uma realidade mais próxima a Belo Horizonte, amanhecerão despoluídos e repletos de peixes.

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Assim como a despoluição dos rios, a mudança de comportamento das torcidas precisa ser tratada com seriedade. Não quero aqui generalizar, ou dizer que isso é atitude de todo torcedor, estaria cometendo uma injustiça com aqueles que sabem ir ao campo sem causar sofrimento ou dor para os outros. Peço a estes que quando lerem a palavra torcedores entendam que aqui vai uma crítica aos que fazem o contrário do que você faz quando vai ao jogo do seu time.

Domingo vimos coisas horríveis acontecerem na capital mineira, tivemos desde o ônibus da delegação atleticana alvejado por latas de cerveja e pedras, a torcedores baleados. No estádio segundo relato da PM e da súmula do árbitro Marcelo de Lima Henrique, as duas torcidas dispararam artefatos explosivos uma contra a outra. E a Minas Arena, concessionária responsável pelo Mineirão, relatou que cerca de 100 cadeiras foram quebradas no setor onde estava a torcida do Atlético.

Em dia de clássico parece valer tudo, na segunda feira todos voltam as suas vidas normais, aquele que agrediu um torcedor vai para seu trabalho, cumprimenta e abraça seus amigos torcedores do time rival, mas só por que hoje é segunda feira, se fosse dia de jogo seria diferente, ele daria uma “voadora”, ao invés de um cordial “Bom Dia!”.

A criatura sem cérebro que tem este tipo de comportamento – recuso-me a acreditar que quem age assim tenha capacidade de pensar – não vê que a pessoa agredida assim como ele, pode ser pai, esposo ou esposa e irmão de alguém. Pode ser um colega de trabalho, que cometeu o crime de pensar e torcer por um time diferente do dele. É a ditadura das torcidas, bem vindo ao ano futebolístico de 1964! É o meu time, ame-o ou deixe-o… Deixe-o não, morra! Comportamento ridículo…

Quem paga a conta por isso? As famílias, que antes tinham no futebol um espaço de lazer e hoje sequer se encorajam a pisar em um estádio. Os times que tomam multas e perdem mandos de campo e aquele mesmo torcedor que se envolveu em brigas e confusões. Ele se feriu, machucou alguém, apanhou da polícia e está detido, enquanto o jogo rola, com atletas dando o sangue em campo, mas só em campo, por que independente do resultado, muitos deles são amigos e depois do jogo vão trocar uma ideia – ao invés de socos e pontapés – em algum lugar bacana, muito diferente de um hospital ou uma delegacia.

Agora pergunto: Há quanto tempo esse tipo de comportamento vem se repetindo no futebol brasileiro? E até quando será tolerado? É preciso ser mais severo com estes bandos de arruaceiros. Clubes, gestores de estádios, STJD e CBF precisam tomar providências efetivas. Chega de medidas esporádicas, que surtem efeito no calor da situação, mas permitem que os mesmos atos voltem a se repetir.

Penso que seja questão de educação, Içami Tiba diz que educar é dizer não. Concordo com o educador. Quando não se impõe limites, a tendência de qualquer situação é fugir ao controle, assim como acontece com o esgoto do Tietê, do Arrudas e a violência de alguns torcedores, coisas que não servem pra nada, sujam o ambiente por onde passam e nós insistimos em tratar do jeito errado.

Foto: Reprodução/Facebook