Opinião: 15 dias colocam o São Paulo de cabeça para baixo

Leco
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Nada é tão brevemente mutante quanto nossas percepções e certezas sobre o tal do futebol. É incrível! O ‘já era’ se torna um ‘agora vai’ no decorrer de uma mesma semana. O ‘agora vai’ também, porventura, se torna um ‘já era’ de uma hora pra outra. E é exatamente este sentimento que vivenciamos agora. O ‘já era’, a decepção.

Aquele São Paulo vibrante, contagiante e empolgante deu lugar a um São Paulo monótono, previsível e decepcionante.

O quadrado mágico padeceu. É como se uma espécie de David Copperfield tenha vindo à tona revelar todos os segredos daquela magia quadrangular. O que parecia magia se revelou pura ilusão de ótica.

Aqueles volantes aplicados na marcação e elogiados por todos, se tornaram dispersos e inconstantes. A zaga então… aquela que teve participação de gala e decisiva na vitória sobre o líder, voltou a nos lembrar Jean e Júlio Santos. Meu Deus!

O São Paulo de 15 dias atrás sumiu. De favoritos ao título à batalha por uma vaguinha no G4.

Maldita expectativa. Já cansamos de ouvir que quanto maior a expectativa criada, maior o tombo, seja qual for o aspecto da vida.

É como aquela garota do colégio que você acha encantadora. Aos poucos se aproxima, troca olhares, ganha sorrisos. Confiante e empolgado, deposita todas suas fichas na festa de sábado à noite. Coloca sua melhor roupa, passa minutos ajeitando o cabelo e acaba se atrasando. Ao chegar à festa, a decepção toma conta ao vê-la de mãos dadas com outro garoto.

Esse é o São Paulo hoje. Capaz de criar nos torcedores uma expectativa que não se tinha há cinco anos. Capaz, também, de jogar tudo água abaixo apenas quatro jogos depois.

Decepção. É esse o sentimento.



Redator publicitário e editorial, colunista no site Por Baixo das Pernas e depoente no filme Soberano 2. Acredita que mulher, cerveja e futebol são os propósitos da vida.