Entenda como um lutador irlandês virou o novo queridinho do UFC

O irlandês Conor McGregor se tornou a nova estrela do UFC. Ao menos, é isso o que o presidente da organização, Dana White, deixa transparecer em seus discursos. Na avaliação do chefão, McGregor é um astro maior do que Brock Lesnar e Georges St-Pierre, dois ex-campeões dentro do octógono e na hora de vender pay-per-views.

McGregor é um ótimo lutador, de trocação afiada e um conhecimento razoável no solo, digno de sua faixa roxa no jiu-jitsu. Mas é lutando em pé que que o “Notório” justifica o apelido. Aos 26 anos, o irlandês tem 16 triunfos (14 por nocaute, 1 por finalização e 1 por decisão) e 2 derrotas, ambas por finalização, no cartel. Está invicto desde que chegou ao UFC, em abril do ano passado. Deste então, o peso pena (66 kg) nocauteou Marcus Brimage, Diego Brandão e Dustin Poirier (este último no UFC 178). A única vitória sem ser por interrupção dos árbitros foi sobre Max Holloway, em sua segunda apresentação no octógono.

Conor McGregor empolga dentro do octógono. E fora dele, está ganhando holofotes pela arma que foi desenvolvida à perfeição por gente como Chael Sonnen e Ronda Rousey: o “trash talking”.

Ciente de que está em alta no UFC e que tem chances reais de desafiar José Aldo ou Chad Mendes pelo cinturão (eles se enfrentam no Rio no próximo dia 25, pelo UFC 179), McGregor não demorou para provocar a dupla. Ele já havia dito, após nocautear Poirier, que queria enfrentar Aldo em um estádio no Brasil. E também posou para fotos com o cinturão.

“Eu acredito que vou desmantelar ambos. O Chad tem 1,67m e estufado. Ele deveria ser peso galo (61 kg), mas passou desse limite. Agora ele é só um pequeno fisiculturista que está preso na divisão dos penas. Ele se cansa rápido. Eu tenho uma vantagem de envergadura de 20 cm, vou ficar enorme sobre ele. Eu iria massacrar o Chad. E José, de novo, sinto que ele está naquele caminho de deterioração. De novo, mais uma vitória fácil. Parece para mim que a divisão está cheia de novatos e ultrapassados. Estou aqui só me divertindo, coletando cheques pelo caminho e eliminando cada um.”

Mas o próximo desafio de McGregor ainda não será pelo título. Por meio do Twitter, o irlandês anunciou que enfrentará o americano Diego Sanchez no México, dia 15 de novembro. E, claro, provocou o adversário: “Ele pediu um grande nome, agora vai pagar com a sua carreira.” É provável que o duelo seja na divisão dos leves (70 kg), onde futuramente Conor gostaria de lutar.

Além de ser um vendedor nato de lutas (e, se ser comparado a Brock Lesnar e Georges St-Pierre nesse quesito já é um feito, quanto mais ser superior), McGregor aos poucos se consolida como um força do UFC na Europa. Por mais que a organização tenha lutadores no Velho Continente, falta alguém forte, capaz de atrair público e, consequentemente, dimheiro. P sueco Alexander Gustafsson, um dos tops dos meio-pesados (93 kg) é o único europeu “rentável”. McGregor está no mesmo caminho.

Isso já foi falado por gente grande no UFC. O campeão dos moscas (57 kg), Demetrius Johnson declarou recentemente que McGregor lhe lembra “um jovem Muhammad Ali” no jeito de falar.

A fórmula é simples e o irlandês captou: para lutar pelo título do UFC ou o cara é muito bom apesar da falta de carisma (casos de Cain Velasquez e José Aldo, por exemplo), ou é um grande falastrão que venda lutas (caso de Chael Sonnen e Nick Diaz). Se for os dois, como Ronda Rousey, melhor ainda. McGregor está na última categoria. Vai lutar em breve pelo título. Se vencer Sanchez em novembro, a próxima luta já deve valer o cinturão.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.