Opinião: “Vivo” ou “morto”, o que é o Internacional no Brasileirão 2014?

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Vivo! Morto! Morto! Vivo! Vivo!

Não sei se era essa a intenção (creio que não), mas é disso que o Internacional “brincou” nos últimos dois meses no Campeonato Brasileiro. Colocado como um dos favoritos ao caneco, o time gaúcho foi de caçador oficial da Raposa a Saci-Pererê manco (se é que isso é possível), disputando, com uma perna só, um lugarzinho no “busão” do G4 com os Mosqueteiros corintianos, gremistas, o santinho tricolor paulista e o Galo mineiro.

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Depois que foi eliminado da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, os comandados de Abel Braga passaram por um verdadeiro calvário no Brasileiro. Da derrocada para os cearenses e depois baianos, seguiram-se derrotas marcantes, cujos pontos fazem falta até agora para São Paulo, Atlético-MG, Figueirense e Vitória.

Somente para entendermos o cenário adverso, antes disso o time conquistou cinco vitórias consecutivas, com o ápice acontecendo na 15ª rodada (quinta vitória dessa sequência), quando, após derrotar o Goiás, em Goiânia, a equipe passou algumas horas na liderança da competição, até o Cruzeiro atropelar o Santos e retomar o posto.

Com o desafio de retomar o mínimo de dignidade (e, principalmente, manter seu emprego), Abel Braga teve de recomeçar seu trabalho praticamente do zero para recolocar o time nos eixos.

Promoveu, primeiro, algumas mudanças no time, já que não estava mais funcionando com a presença de um centroavante fixo. O contestado Rafael Moura deu lugar a Wellington Paulista, que ao manter a mesma toada do antecessor, foi de novo para o banco e deixou que Eduardo Sasha reinasse por ali e, realmente fizesse a diferença.

Desde que a revelação colorada cavou seu lugar entre os onze, já marcou quatro gols e deu uma dinâmica melhor ao ataque, fazendo com que D’Alessandro e Alex aparecessem mais na área e Aránguiz voltasse ao seu papel de coadjuvante-protagonista, que foi um dos grandes responsáveis pelo bom futebol do Inter quando ele tinha a pecha oficial de “vivo!”.

Não é à toa, aliás, que a contratação de Nilmar foi comemorada como um título por todos no Inter. O jogador não somente possui qualidade acima da média, como tem a característica ideal que almeja Abel: um atleta que, ao mesmo tempo, exerce a função de centroavante e segundo atacante, tendo facilidade em sair da área para buscar o jogo e, se precisar, cair pelas pontas.

E claro que também não é à toa que a provável ausência dele no jogo decisivo contra o Cruzeiro na próxima rodada deixou uma sensação de “morto!” no Beira-Rio. A partida ganhou ares de final antecipada em Porto Alegre, já que uma vitória diminuirá para três pontos a distância do colorado para o líder mineiro.

Precisando resolver pendências contratuais em seu ex-clube no Oriente Médio, Nilmar viajará para a região nesta semana e não deve conseguir retornar até sábado, dia do tal jogo.

O mais triste disso tudo é perceber a fragilidade dos alicerces que colocam o time nessa gangorra de “vivo!” e “morto!”. Porém, em contrapartida, há muita água para rolar até o fim da disputa, depois desse fatídico duelo contra o Cruzeiro: 11 rodadas e 33 pontos em jogo são coisa pra caramba.

Que se fique apenas no “vivo!”, é o que as pernas pedem.

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Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...