Opinião: 3 sinais de amadorismo na ação do Corinthians

Corinthians
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Quer aprender a não fazer uma ação de marketing? Basta ver a última ação do marketing do Corinthians após a vitória no STJD. De uma vez só conseguiu inflar ódio em dois clubes e utilizar indevidamente símbolos de terceiros.

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Já havia certo burburinho na mídia a respeito da absolvição do Corinthians no caso Petros. Comentava-se que por assumir a autoria da culpa, a Federação Paulista, representada pelo atual presidente da CBF Marco Polo del Nero, havia livrado o Corinthians de qualquer possível punição (21 pontos como esperado). Mesmo a contragosto de muitos clubes e dirigentes, o STJD não condenou o clube e a tabela de 2015 se mantém.

Não comento a questão de poder, influência e interesse, principalmente que tudo que se comenta nos bastidores do futebol pode ser especulação e/ou tratado como mais uma falácia do futebol e alguma conspiração de perseguição. Até Felipão, essa semana, deixou no ar que tudo já seria arranjado, mesmo discurso de um dirigente do Grêmio meses atrás.

Também confesso que não analisei o caso, ou busquei melhores informações a respeito do processo e das estratégias de defesa e ataque, mas recordo que não vi comoção alguma a respeito da perda dos 21 pontos e alteração na tabela para nove clubes (do 3º ao 12º colocado), o que com certeza melhoraria a vida de muitos e classificaria Inter e Grêmio para Libertadores. Mas o fato é que o Corinthians foi absolvido e ponto.

Observado apenas o aspecto do marketing do clube durante o episódio posso dizer que foi lamentável. Após a vitória no tribunal o marketing do Corinthians prontamente utilizou suas redes sociais para divulgar os novos “mascotes do Brasileirão”, uma clara provocação aos times gaúchos (interessados diretos no processo) ao utilizar as cores dos clubes e inserir as inscrições “7×1″, referência à derrota do Felipão,  e “DVD”, em decorrência do episódio de 2009, no qual o Inter elaborou um DVD com erros de arbitragens a favor de Corinthians.

1. Uso indevido de símbolos olímpicos

A utilização dos mascotes olímpicos para representar tal provocação é no mínimo irresponsável. Um clube que possui uma marca milionária e sabe o valor de sua utilização, bem como define estratégias para tal, que armazena processos por uso indevido de marcas e possui uma área responsável por licenciamento de produtos deveria entender que tal ação é uma utilização indevida de um dos mais representativos (e lucrativos) símbolos olímpicos.

Já falamos aqui sobre o que representam os mascotes olímpicos, responsáveis pela aproximação dos jogos olímpicos ao público e denota carisma nas ações, e utilizá-los para uma provocação sem sentido, e mesquinha, diga-se de passagem, consegue inverter todos os valores e conceitos agregados as suas imagens o que, aposto, foram mote de milhares de reuniões a abordagens estratégicas (e de design) para que fosse possível.

Não acredito que a imagem conseguirá ter uma relevância maior do que a comunicação oficial das Olimpíadas, mas em um momento de começo de inserção junto ao público o risco existe e deveria ter sido mensurado

2. O marketing deve exaltar os valores e resultados de campo

Em segundo lugar imagino que o marketing de um clube deve zelar pela imagem, em relação ao mercado, e ser responsável pela comunicação com seus torcedores, representar o clube perante todos, e deve utilizar para este posicionamento os valores e a história do clube conquistados pelo passar dos anos dentro de campo (e pelo seus torcedores nas arquibancadas)  e não pelo que se passa dentro dos tribunais, atuação de seus advogados ou disputas políticas.

Praticamente, ao mercado, o clube se assume como parceiro do tribunal e que é invencível dentro dele, mesmo contra tudo e contra todos.

3. No futebol a “zueira tem limites”

É perceptível a falta de decoro esportivo com uma ação, que nada mais faz do que inflar sentimentos de ódio e revolta entre clubes do Rio Grande do Sul e um clima de deboche e superioridade (inclusive em relação a lei) por parte dos Corintianos, o que nunca deveria ser gerado pelo próprio clube. Deixe que os torcedores e sites de humor trabalhem com isso, eles são responsáveis pelas provocações e “zoeiras” , o clube deve ser criativo, inteligente e, principalmente, manter o respeito. Podíamos aprender com os europeus.

Utilizar o 7 a 1 para menosprezar o adversário, é um golpe baixo para o futebol brasileiro. Mesmo tendo sido um momento de reflexão e percepção ao real cenário do futebol, incluindo todos os clubes, o Corinthians atribui toda culpa do fracasso da seleção na Copa ao Felipão e se exime de qualquer responsabilidade sobre o resultado, como se fosse uma ilha de excelência na gestão, estrutura e na base. Não o é. Possui a mesma parcela de culpa que todos os dirigentes e clubes do Brasil.

E não preciso dizer que esse clima de desunião é um dos grandes responsáveis pela situação precária do futebol brasileiros, basta nos lembramos do caso do Clube dos 13 e a cisão deflagrada pelo presidente do clube paulista.

Foto:Getty Images



Empreendedor, formado em Administração e Gestão de Projetos. Acha que a assistência é mais importante que o gol e sempre quis ser um camisa 10, mas foi no máximo a 2. Enxerga o esporte mais do que as quatro linhas, acredita ser um negócio, uma manifestação social, uma experiência única. Espera transformar o futebol brasileiro em uma Champions League.