Opinião: Reconhecimento da Fifa sobre Copa Rio é apenas um mero detalhe

Reprodução/Twitter

Não estou “nem ai” para a FIFA. A entidade máxima do futebol não possui gabarito para servir de parâmetro definitivo para nada. Sempre privilegiou os critérios políticos ao invés de conduzir o esporte mais popular do planeta com coerência e lisura.

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O reconhecimento do Torneio Internacional de Clubes Campeões – Copa Rio 51 – como primeiro Mundial, nada mais é que uma obrigação e/ou uma reparação tardia, para aclamar o maior feito que um clube brasileiro já conquistou.
Mesmo assim, enxergo motivos positivos e importantes para o reconhecimento.

O menor: Vai calar a boca dos nossos rivais, principalmente aquele se apega, exclusivamente, no aval da FIFA para se intitular campeão do mundo, por ter ganhado um torneio de Verão, organizado pela sua própria patrocinadora (sic!).

O melhor de tudo: Com o reconhecimento, a Copa Rio vai ser finalmente descoberta pela mídia e, principalmente, pela própria torcida palmeirense, que, até o momento, sempre desconheceu a verdadeira história desse título. Com isso, todos perceberão que o reconhecimento é mera formalidade para a magnitude desse título, não só para o Palmeiras, mas também para o país.

Meu texto é parcial? Pode ser. É apaixonado? Talvez. Mas, com certeza não menti ao falar da grandiosidade deste triunfo. Quem já teve o privilégio de libar o dossiê feito por Roberto Frizzo, ou ler os livros “Palmeiras Campeão do Mundo 1951”, de Fernando Gallupo, ou “Maracanã, Meio Século de Paixão”, de João Máximo, sabe do que estou falando.

Uma conquista não pode ser analisada de forma isolada. A época, a repercussão e, principalmente, as circunstâncias são dados obrigatoriamente relevantes.

Os brasileiros, ainda traumatizados pela Copa perdida para o Uruguai, lotaram o Maracanã para incentivar o Palmeiras, aos gritos de “Brasil, Brasil”. A verdade é que o título resgatou a autoconfiança dos brasileiros e o resultado disso todos conhecemos…

José Guedes Torino, do periódico “Vida Esportiva Paulista”, retratou bem a conquista: “Estamos reabilitados do fracasso de 16 de Junho de 1950, em que perdemos por excesso de otimismo a oportunidade de sermos legítimos campeões do Mundo. Coube a Sociedade Esportiva Palmeiras a tarefa de nos redimir… E agora podemos dizer: Somos os legítimos Campeões do Mundo”.

Se considerarmos a época de quase inexistência de meios de informação, a mobilização e festa pela conquista não podem ser comparadas a nenhuma outra até os dias de hoje. Dizem até que, na multidão que se espalhou pela cidade para receber os campeões, estavam muitos torcedores da Marginal Tietê.

Sim, o único clube que vestiu e honrou (vestir e não honrá-la é vergonha e não mérito) a camisa Canarinha, já tinha “sido Brasil”, perante o Maracanã lotado.

É, mas isso foi há “tantos anos…”. Foi, mas a história da Sociedade Esportiva Palmeiras deve ser sempre sublimada, pois, além de ser a mais bela de todos os clubes, faz com que o Campeão do Século se diferencie daqueles que “fabricam sua história” ou “ficam na moda”, escondendo o passado.

Obrigado, FIFA, mas muito mais relevante que seu reconhecimento tardio de proclamar o Palmeiras como o primeiro Campeão Mundial é o fato da Copa Rio 51 ser o título mais importante de um clube do país do futebol.

“Não importa o que, mas como.”
(Sêneca)



Jornalista formado, repórter de campo por 12 anos e colaborador em diversos sites sobre futebol/Palmeiras.