Como seria a CBF em um modelo NBA de gestão

A Confederação Brasileira de Futebol, maior (des)organização do futebol brasileiro, sempre foi e dificilmente deixará de ser criticada com veemência pelo seus mandos, desmandos e descasos com o nosso esporte. Seja pelo continuísmo de Ricardo Teixeira em anos atrás e a falsa renovação com a chegada de José Maria Marin ou pelas diversas trapalhadas em calendários e na omissão sobre a situação financeira calamitosa dos clubes.

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Por tantos problemas e tanta descrença no modelo atual de gestão, me peguei pensando em uma adaptação no que conhecemos como gestão do nosso futebol, usando uma forma existente nos Estados Unidos, mais precisamente na NBA.

Logicamente, não são somente os elementos mostrados a seguir que fazem parte desse estilo, mas com certeza eles podem ser colocados como os mais marcantes e também os que mais diferem se comparadas as nossas práticas costumeiras de administração.

Clubes “franquias”

A integração entre a CBF e seus respectivos clubes das quatro séries principais (A,B,C e D) seria a mais estreita possível com a implementação do modelo de clubes como “franquias”. Apesar de terem seus próprios gestores e determinada liberdade para tomarem decisões administrativas, questões salariais, estatutárias e até mesmo a contratação de jogadores teria obrigatoriamente que passar pelo crivo da Confederação.

Ou seja: Todas as ações que influenciassem não só o clube mas outros integrantes da CBF, seja de forma direta ou indireta, seriam avaliadas.

Outro ponto alterado seria a estrutura administrativa dos clubes. No lugar de conselheiros e até mesmo presidentes ligados ao clube por questões familiares, grupos de empresários assumiriam o comando com a hierarquia baseada em suas respectivas ações na Bolsa de Valores.

Quem detiver o maior número de ações terá prioridade nas decisões. E, como suas atitudes influenciam diretamente também em seus ganhos, o interesse em gerir de maneira coerente aumenta naturalmente.

Política salarial

Para garantir um alto nível de competitividade no torneio, a liga de basquete norte-americana criou um limite salarial que envolve vários fatores, obrigando as equipes a não ultrapassarem um determinado valor, assim como também devem garantir um valor mínimo. Cada valor que “estourar” o limite imposto é taxado, de forma severa.

Sendo assim, os clubes vinculados a CBF teriam que impôr uma politica quase que semelhante a colocada pelo Palmeiras, remunerando seus atletas por produtividade e podendo ganhar bônus por metas alcançadas. Uma atitude nessa medida daria fôlego financeiro as equipes e também seria benéfico para aumentar a disputa com relação ao nível técnico.

Sistema de transferências

Como já foi citado, o sistema de troca de jogadores que envolvam apenas times da CBF teriam que passar pela avaliação da Confederação, que levaria em consideração aspectos técnicos e financeiros para autorizar ou não o prosseguimento das negociações. “Super times” poderiam tranquilamente ser montados, desde que o clube conseguisse conciliar o gasto salarial ou até mesmo se arriscasse a arcar não só com os rendimentos, mas também com as taxas adicionais em caso de ultrapassar o teto de salários.

Força da Associação de Jogadores

Em 2011, devido a insatisfação por parte de jogadores com a questão financeira, a liga entrou em um verdadeiro recesso. Enquanto a situação entre os integrantes da NBA e os representantes da NBAP (National Basketball Association Players ou Associação dos Jogadores de Basquetebol Nacional) não se resolveu, a competição simplesmente parou.

Trazendo a questão para a realidade da CBF, o Bom Senso FC seria um ótimo ponto de partida para uma representação oficial e que obrigatoriamente seria reconhecida pela CBF em regulamento, atendendo a pedidos de negociações e revisões com relação a legislação, formatação de calendário, modelo financeiro etc.

Seria evidentemente inviável, pelo menos a princípio, fazer uma aplicação prática das ideias expostas, ainda mais em vista de como é conduzido o aspecto dos lucros e das transferências não só a nível de futebol nacional, mas principalmente internacional.

Outros pontos, como a questão cultural e a resistência inicial por “importar ideias”, seriam situações que colocam em ainda mais dificuldade de estabelecimento do modelo.

Porém, que as ideias são dignas de análise, isso são.

Foto: Buda Mendes/Getty Images



Jornalista formado em 2012 pela FIAM e que tem paixão por esportes, destacando-se Futebol, MMA, Basquete e Automobilismo. Foi editor e repórter do Universo dos Sports.