Conheça Wendell Scott, o primeiro negro no Automobilismo

Hoje, como bem se sabe, é o Dia da Consciência Negra. Para homenagear esta data, o Torcedores lembra do primeiro piloto negro da história.

Para quem pensa que Lewis Hamilton foi o primeiro negro a fazer parte deste mundo do Automobilismo, se engana, e muito. O primeiro negro (ou afro-descendente, depende de sua forma de interpretação) foi Wendell Oliver Scott, ou simplesmente Wendell Scott, que teve passagem pela NASCAR nos anos 50 e 60, com direito a uma vitória na categoria, em Jacksonville, bem na época de confrontos raciais nos Estados Unidos.

Wendell Scott nasceu na cidade de Danville, no estado da Virginia, em 29 de agosto de 1921, e viveu em uma região onde o tabaco era o grande negócio.

Foi nesse cenário que Scott apareceu em destaque, principalmente nos anos 40 e 50, com vitórias em eventos legalizados e não-legalizados (era comum pilotos participarem de provas não-legalizadas) e sua carreira sempre foi resumida a problemas de dinheiro e o preconceito racial, que era muito intenso, principalmente no início dos anos 60.

Se Martin Luther King se tornara um líder nas batalhas contra o preconceito racial, Scott tentava provar que um negro era sim, capaz de vencer na NASCAR. Tanto que se tornou o primeiro – e até o momento, único – negro a vencer uma prova da categoria principal da NASCAR.

Isso aconteceu no dia 1º de Dezembro de 1963, no Speedway Park em Jacksonville, Flórida, em uma prova controversa pois, houve uma contagem errada das voltas de Scott e, com isso, a vitória foi repassada para Buck Baker, que era o segundo colocado, DUAS VOLTAS ATRÁS de Scott. Exatamente, Scott deu 202 voltas – duas a mais que o programado – e não ganhou, o que causou enorme revolta. Some isso aos problemas entre negros e brancos e pronto, terá uma discussão sem limites

A confusão só foi resolvida quatro semanas depois, no oval de Savannah, também na Flórida, onde Scott conseguiu sua primeira pole-position.
Só um detalhe interessante: Scott não recebeu o troféu ORIGINAL da prova, que também não ficou nas mãos de Buck Baker, segundo colocado na prova. O destino do troféu se tornou um mistério.

Depois da vitória em Jacksonville, o piloto do carro número 34 correu até o ano de 1973, quando um ‘Big One’ (acidente com vários carros) aconteceu no oval de Talladega e ocasionou várias lesões em Scott. Com isso, ele se viu obrigado a se aposentar na categoria, mas com bons resultados, principalmente nas temporadas de 1968 e 1969, quando foi 9º colocado na tabela da temporada.

Quatro anos mais tarde, e com a situação entre negros e brancos mais amena, o piloto foi nomeado para o Hall da Fama de Atletas Negros. Ele veio a falecer na mesma cidade onde nasceu (Danville, Vírginia) no dia 23 de dezembro de 1990, de câncer de medula.

Após sua morte, seu nome fora lembrado em diversos “Hall of Fame”, entre eles o de Jacksonville (homenageado em 1994), o do Automobilismo Internacional (em 2000) e, finalmente o da própria NASCAR, onde seu nome está ao lado de lendas como Richard Petty a partir deste ano.

Atualmente, a família de Wendell Scott mantem uma Fundação em sua nome, dedicado a Educação Infantil. Para conhecer mais sobre a história do piloto, acesse este link.

Peter Goldenback, jornalista destaca um detalhe entre ele e outro atleta que se tornou histórico na luta contra a segregação racial: Jackie Robinson, jogador com longa carreira no Beisebol. A diferença, segundo o jornalista, é que “Robinson jogava no Brooklyn, uma região liberal, enquanto Scott vivia ao lado de preconceituosos sulistas e não tinha ninguém ao seu lado”.

Confia abaixo um documentário criado pela NASCAR, que conta a sua história (em inglês):



Jornalista de 29 anos, com passagens em diversos sites como UOL Esporte, Trivela, Fanáticos por Futebol, Doentes por Futebol e revistas como IstoÉ 2016. Atualmente, é comentarista na Rádio Trianon 740AM SP.