Hamilton e Rosberg devolvem a emoção à F1 com disputa pelo título

Depois de um ano de domínio absoluto de Sebastian Vettel, que chegou ao cúmulo de vencer as nove últimas corridas da temporada, a Fórmula 1 voltou a viver dias de emoção em 2014. Neste fim de semana, a história da briga pelo título entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, os dois pilotos da Mercedes, chega ao seu último e mais importante capítulo. O cenário é o circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi, no GP dos Emirados Árabes.

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A Mercedes foi a grande imperadora da F1 nesta temporada, garantindo com boa antecedência o título do Mundial de Construtores. A equipe alemã, que voltou à categoria em 2010 com a compra da Brawn GP, vai fazer neste domingo (23), à partir das 11h (horário de Brasília), seu terceiro título de pilotos. O último aconteceu há 59 anos, com a conquista de Juan Manuel Fangio. Foi também do argentino a primeira conquista, em 1954, no ano anterior.

O grande diferencial da Mercedes, em relação ao que a F1 se acostumou a ver ao longo das últimas décadas, foi a livre disputa entre seus dois pilotos. A decisão nos Emirados Árabes coloca frente a frente dois estilos completamente diferentes que acabaram se traduzindo em estatísticas. De um lado, o líder Lewis Hamilton. que vai com a vantagem de poder chegar até em segundo lugar para ser campeão, é o piloto que mais venceu em 2014: 10 vezes.

Do outro, o vice Nico Rosberg foi quem liderou mais vezes o campeonato, mostrando um alto nível de regularidade. O problema foi ser superado constantemente pelo companheiro na reta final da temporada. Isso determinou a situação em que o alemão se encontra, precisando vencer e torcer para que algum carro de equipe rival supere Hamilton. Se o inglês chegar em terceiro, Rosberg será campeão. Mas é difícil imaginar uma Williams, ou uma Red Bull, superando a outra Mercedes em condições normais.

Os próprios números do campeonato mostram a vida difícil que Rosberg terá. A Mercedes bateu este ano o recorde de dobradinhas em uma mesma temporada. Foram 11 vezes, uma a mais do que a McLaren de Ayrton Senna e Alain Prost conseguiu no clássico ano de 1988. Esse número pode ser aumentado neste domingo, e, neste caso, Hamilton será o campeão.

Ao longo do ano, Hamilton e Rosberg protagonizaram duelos muito bons de serem vistos na televisão. Foi um espetáculo que fazia até o fã de F1 esquecer que as duas Mercedes estavam muito, mas muito à frente dos outros carros. Era uma situação que realmente remetia à McLaren dos tempos Senna-Prost. O que a Mercedes fez foi reacender, ainda de maneira tímida, a expectativa do torcedor pela corrida que decide o campeonato.

É louvável a pouca interferência que o time alemão teve na briga interna de seus pilotos. Domínios como esse da Mercedes com carros superiores a Fórmula 1 se cansou de presenciar após a Era McLaren, mas o que mais aconteceu foram competidores que ganhavam toda a atenção de suas equipes e acabavam “nadando de braçadas rumo ao título”.

Neste fim de semana, a expectativa fica por conta principalmente do desempenho de Lewis Hamilton, que foi um dos poucos pilotos da F1 nos últimos 20 anos a passar por uma situação de equipe dividida, crise interna e mal-estar entre dois corredores. Em 2007, o inglês entrou em profundo atrito com o espanhol Fernando Alonso na McLaren, e isso acabou custando o título a ambos. Sorte de Kimi Raikkonen, da Ferrari, que não tinha nada a ver com aquilo e foi campeão.

Hamilton perdeu em 2007 justamente pelo nervosismo. Era o mais jovem piloto a disputar título, tinha passado por um ano de escândalos que acabaram afetando a imagem e tirando todos os pontos da McLaren no Mundial de Construtores. Tudo jogava contra um piloto inexperiente.

No ano seguinte, mais alguns erros de condução, principalmente no GP decisivo, no Brasil, quando foi ultrapassado por Sebastian Vettel, então com a pequena Toro Rosso, a poucas voltas do fim, caindo para uma posição que dava o título a Felipe Massa, da Ferrari. Em um golpe raro de sorte, viu o alemão Timo Glock fazer uma das voltas mais lentas da história, ultrapassou o piloto da Toyota, e ficou com a taça.

O exemplo ainda claro na memória de Hamilton, mas o inexperiente em decisões agora é Rosberg. Foi ele quem errou duas vezes uma curva no mesmo ponto no GP da Itália, ajudando Hamilton a ganhar e fazer uma sequência de triunfos que hoje o creditam como favorito ao bi. Será que o alemão conseguirá impedir?



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.