Inter faz gol no último lance e garante G-4 até fim da rodada

“Haja coração”, conforme disse o técnico do Inter, Abel Braga, ao fim do disputado confronto entre o Colorado e o Atlético-MG. Certamente nem o mais ponderado torcedor no Beira-Rio imaginou que seria tão difícil vencer o time quase reserva do Galo.

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Completo e com sede de G-4, o Inter não deixou de pressionar o adversário em nenhum momento da partida. Contudo, o velho problema de falta de criatividade fez com que a equipe não criasse muitas chances claras de gol.

Em uma das poucas vezes em que uma trama foi bem executada, Jorge Henrique recebeu na ponta esquerda em posição duvidosa (mas legal) e rolou para Rafael Moura abrir o placar. Entretanto, a explosão de alegria em Porto Alegre durou pouco.

Foi só a bola sair no meio de campo para os velozes e insinuantes jogadores mineiros invadirem a área colorada e arrumarem um pênalti. Fabrício, estabanado ao tentar fazer o desarme, derrubou Eduardo e fez o árbitro Péricles Bassols apontar a marca da cal.

Dodô pegou a bola, colocou debaixo do braço, depois no chão e no fundo do gol de Alisson, que sequer saiu na foto da cobrança: pelota de um lado, goleiro do outro. Foi a ducha de água fria que ninguém queria por aquelas bandas dos pampas.

Ducha essa que demorou para tirar o Inter do estado de choque em que ficou. Precisando vencer de qualquer jeito, para não desperdiçar a chance de ouro que foi o jogo contra os reservas de um dos clubes mais em alta do Brasil, os donos da casa passaram a fazer marcação pressão, na saída de bola, durante o segundo tempo.

Em dados momentos, inclusive, era nítida a toada do jogo, de defesa x ataque. Somente Willians e Ernando atrás, além do goleiro Alisson, claro, e os outros oito tentando de tudo. Abel Braga também fez sua parte, quando tirou o lateral-direito Gilberto e colocou o meia-atacante Valdívia. Depois ainda colocou Taiberson, na vaga de Jorge Henrique e, por fim, Wellington Paulista por Alex. E foi para o “tudo ou nada”.

Acabou premiado com o “tudo”, aos 49 minutos, último suspiro que restava. Após rebote de um cruzamento para a área, Fabrício veio como um foguete pela esquerda e, no melhor estilo elemento-surpresa, chutou de direita, no cantinho de Victor, que saía para fechar o ângulo oposto, imaginando que o jogador, canhoto, tentaria colocar a redonda ali.

O estádio veio abaixo, de tanta euforia. Quando todos se abraçaram ao redor de Abel Braga e os reservas para comemorar o inesperado gol, não dava para distinguir se a vermelhidão no rosto do persistente treinador era da forte emoção do momento, ou se já teria incorporado o espírito vermelho da camisa do Inter à sua fronte.

Difícil saber. Mas fácil dizer: o Inter demorou, mas chegou. E chegou para ficar.



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...