Linha do tempo: como Levir Culpi tornou o Atlético-MG a sensação da temporada

Levir

Quando Levir Culpi foi contratado pelo Atlético-MG, em meados de abril, para substituir Paulo Autuori, todos se perguntaram sobre o sentido daquilo. Primeiro porque ninguém mais lembrava da existência dele e, depois, porque o treinador nunca foi considerado um dos melhores do país, e chegaria em um time em alta, regido por um craque e com grandes aspirações na temporada.

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De início, a desconfiança acerca da chegada de Levir foi confirmada com a eliminação do Atlético-MG na Libertadores. Por mais que o técnico tenha dirigido o time apenas no jogo da volta, a falta de assertividade do time em campo acabou caindo também nas costas do treinador, que logo de cara, passou a ser questionado sobre sua competência para gerir o elenco e, principalmente, os egos dos jogadores.

Contudo, alguns acontecimentos pontuais conspiraram a favor de Levir Culpi e hoje, boa parcela dos méritos pelo time estar prestes a conquistar a Copa do Brasil e ser visto como uma das sensações da temporada, é do treinador. São eles:

Conquista da Recopa Sul-Americana

A virada épica contra o Lanús-ARG, na decisão da Recopa Sul-Americana, foi um aviso dos “Deuses do Futebol” a todos que imaginavam que a sorte do Galo em jogos mata-mata, que havia dado as caras pela primeira vez em 2013, demoraria muito para ir embora.

O triunfo em si não foi, na época, debitado na conta de Levir Culpi, mas ele ter acontecido logo no início do trabalho do treinador à frente da equipe, o credenciou a ter mais tranquilidade para tomar decisões e gerenciar a equipe nos meses seguintes.

Saída de Ronaldinho Gaúcho

Com contrato ainda vigente, Ronaldinho surpreendeu a todos e anunciou que deixaria o Atlético-MG depois da conquista da Recopa. Na época, poucos entenderam as motivações do craque, mas com o passar do tempo, as coisas ficaram claras.

Levir Culpi passou a entrar em rota de colisão com o meia, cobrando dele uma postura mais comprometida e altiva diante do grupo, uma vez que era o melhor e mais vencedor jogador do elenco. Ronaldinho não gostou das abordagens e sua queda de rendimento foi nítida. Não suportando mais a situação e descontente com as cobranças, decidiu deixar a Cidade do Galo.

Levir, ao contrário do que poderia se supor, saiu fortalecido do episódio. Mas teve de juntar os cacos e provar que tudo valeria a pena.

Consolidação de Diego Tardelli como um líder

Certamente o maior mérito de Levir Culpi no trabalho que realiza nesta terceira passagem pelo Atlético-MG. Depois da saída conturbada de Ronaldinho Gaúcho, a equipe ficou sem uma referência clara em campo.

Dentre os potenciais candidatos, Levir apostou em Diego Tardelli, um dos jogadores mais experientes e talentosos do elenco. Teve êxito. Tardelli, que antes era considerado apenas um jogador de qualidade técnica apurada, começou a ser visto como um atleta influente, um líder no sentido moral da coisa.

Tal fato até melhorou o desempenho do jogador e ele virou o pilar principal do time. Sem contar as convocações para a seleção e o reconhecimento de estar vivendo a melhor fase da carreira.

Metamorfose de Luan: de talismã a decisivo

Outro ponto positivo do trabalho de Levir Culpi foi ter tornado Luan uma das peças mais importantes e decisivas da equipe. A transformação dele foi outro aspecto que fez o Atlético-MG virar esse time que joga um futebol de encher os olhos em 2014.

Evolução de Dátolo

O argentino Dátolo também deve o salto de patamar de sua carreira a Levir Culpi. O treinador confiou nele, colocou-o para jogar, testou-o em diferentes posições e, quando sentiu uma empatia dele com Luan, encontrou uma das duplas mais infernais dos gramados brasileiros. De quebra, contrariou a lógica mais uma vez: quem disse que argentino com brasileiro não pode dar certo?

Problemas disciplinares de Jô

O atacante viveu uma das maiores reviravoltas de um jogador de futebol nos últimos tempos: e para pior. E por culpa dele mesmo.

O outrora matador atleticano conseguiu sair da condição de reserva de Fred na seleção brasileira, em uma Copa do Mundo, para um zero à esquerda do elenco, que não deixa saudade nenhuma.

Durante esse processo, Levir Culpi manteve uma postura serena e apaziguadora, confiando que o atleta pudesse reequilibrar-se psicologicamente para voltar a ser útil ao clube. No final, quando nada disso aconteceu, pouco tocou no assunto, preservando assim, a imagem do ex-comandado.

Mudança da postura tática

Apesar de todos os fatores já descritos terem exercido grande influência no Atlético-MG, o principal deles é este último: o jeito de o time jogar. Levir confiou em suas convicções, no grupo que tinha em mãos e, com empenho, fez a equipe voltar a jogar com velocidade, intensidade e qualidade técnica.

Aperfeiçoou o que de melhor a equipe possuía em 2013 e montou um esquema na qual nenhum dos jogadores de frente guarda posição. Diego Tardelli, Dátolo, Luan e quem mais estiver na parte ofensiva do gramado podem ser meias, pontas, segundo atacantes ou centroavantes de uma hora para outra.

Isso é dificílimo de ser marcado e, aliado à força de vontade que a equipe tem de vencer, o Atlético-MG virou uma potência do futebol brasileiro, assim como o Cruzeiro, cujo trabalho vem sendo feito há dois anos.

Os números, inclusive, não mentem: desde que assumiu o comando, somou pontos em 40, dos 48 jogos que fez. Levir Culpi é a comprovação de que dedo de treinador funciona, sim. Ou os seus feitos é que são. Basta escolher o que se encaixa melhor.



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...