Na Mooca, quem sorriu com River x Boca foi um brasileiro

Em uma das ruas mais movimentadas do tradicional bairro paulistano da Mooca, um homem entra em um bar com cara de Buenos Aires e pede uma mesa perto da televisão. Claro, em poucos minutos vai começar o Superclássico River Plate x Boca Juniors que decidirá o finalista da Copa Sul-Americana.

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Nem bem a porção pedida pelo torcedor fanático do Boca chega à mesa, o argentino – talvez o único no bar além dos donos do Moocaires Cristian e Adrian Galarza – fica vidrado na televisão. Pênalti para o seu time.

Com menos de um minuto de bola rolando, a noite do hermano pode ficar ainda mais tranquila. Mas após três minutos de discussão no Monumental de Nuñez e no salão do bar sobre a marcação, Luciano só balança a cabeça negativamente. Gigliotti parou na mão direita de Barovero.

Bruno, a poucos metros de Luciano, vibra com a defesa do goleiro, mas em bom português. O torcedor do River Plate é brasileiro e gostou do bar após assistir alguns jogos da Argentina na Copa do Mundo no local. Voltou para acompanhar o Superclássico.

Na sua mesa, descubro mais um argentino. Daro Paz está no Brasil há um ano e meio e já trabalhou na cozinha do Moocaires. Nesta quarta era apenas mais um consumidor e, torcedor do Chacarita Juniors da terceira divisão argentina, acredita em uma vitória do Boca, apesar da rivalidade com o seu clube.

Luciano segue apreensivo e vidrado na televisão. Não acredita nas chances que seu time perde e menos ainda na categoria de Pisculichi ao acertar o cantinho direito de Orion. Luciano, mais uma vez, vibra.

No intervalo, o argentino conta que está a trabalho no Brasil e visita o país mensalmente, mas nunca havia se sentido tão em casa como no estabelecimento da Mooca. Nas paredes, diversas referências ao país vizinho, como retratos do Papa Francisco e Eva Perón.

O torcedor acredita em uma virada do seu time, mesmo com o cenário totalmente desfavorável e não cansa de lamentar o pênalti perdido.

Com a bola rolando novamente no Monumental, as esperanças de Luciano diminuem a cada passe errado e a cada entrada mais forte do seu time. Sinal de desespero.

Quando a placa dos acréscimos era exibida, Luciano entendeu como um sinal do fim das possibilidades, levantou-se e pagou a conta. De pé e ao lado da porta, viu o apito final e a festa dos jogadores do River e de Bruno.



Editor senior do Torcedores.com, o jornalista formou-se na Universidade Metodista em 2009 e passou pelas redações do Diário do Grande ABC, Agora SP, UOL e Fox Sports, onde fez a cobertura da Copa do Mundo de 2014. Está no Torcedores desde outubro de 2014.