Opinião: Não se vive só de história

Palmeiras
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Que a situação do centenário clube paulista Palmeiras não é das melhores, não é novidade. Porém, quando o vexame é apontado em números, a vergonha fica ainda mais contundente.

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Vamos engatar a marcha ré, sem analogias à campanha do clube, por favor, e relembrar 2002. Com apenas 36% de aproveitamento, o elenco formado por Marcos, Leonardo, Alexandre, César e Diego; Paulo Assunção, Fabiano Eller, Arce e Lopes; Muñoz e Nenê, comandado pelo técnico Vanderley Luxemburgo, sucumbiu pela primeira vez na história à série B do Brasileiro.

Dez anos mais tarde, quando a sombra do descenso parecia ter desaparecido de cima das cabeças alviverdes, eis que o clube consegue a façanha de diminuir o aproveitamento sob o comando do Felipão. Com míseros 29% no quesito durante o Brasileirão de 2012, o elenco que contava com Henrique, Valdívia, Marcos Assunção e Barcos assinou mais uma queda e mancha catastrófica na história do clube. Mesmo ano em que, ironicamente, foi campeão da Copa do Brasil.

Se o que é ruim, sempre pode piorar, cá estamos outra vez, apenas dois anos depois, com uma mega Arena Multiuso, considerada a mais moderna da América Latina (e que diga-se de passarem, não ganha jogo sozinha), beirando novamente a zona desconfortável que define o acesso pela 3ª vez à série B. Vale até uma trilha sonora de filme de terror nesse momento.

Estacionados com 39 pontos, pulamos para a 16ª colocação. Faltando duas rodadas para o fim do campeonato, o Vitória, nosso concorrente direto para prêmio de piores times do campeonato, é o 17º colocado e tem 38 pontos, um a menos que o Palmeiras. Para completar o desespero palestrino, enfrentamos nada menos que o Internacional, fora de casa na próxima rodada.

Diante desse cenário, e analisando o elenco atual, o torcedor palmeirense sente o cheiro de mofo nas páginas da história do clube, já que, de brilho mesmo, só restaram os feitos antigos.

No dia 7 de dezembro, em pleno palco magnificamente edificado na Barra Funda, enfrentaremos o Atlético Paranaense e esperamos, pela primeira vez, poder festejar na nova casa a permanência na elite. A expectativa é que o respeito e amor à camisa não tenham sido demolidos junto com o antigo Parque Antártica e que 2015 possa ser o verdadeiro ano do centenário, para fazer esquecer, de uma vez por todas, 2014.

Foto: Getty Images



Curiosa por natureza e jornalista de formação. Sou autora do livro Palmeiras - O Brasil de coração italiano. Escrever sempre foi um hobby e vender por meio da mensagem tornou-se profissão. Formada desde 2012, hoje me especializo em Comunicação de Marketing em Mídias Digitais.