No Brasil, futebol americano também ganha força entre as mulheres

Arquivo Confiança Alfa

Nos últimos dez anos o futebol americano veio conquistando cada vez mais brasileiros, tanto como expectadores, quanto como jogadores. Atualmente, são mais de 120 equipes praticantes da modalidade no país, tendo três competições a nível nacional: o Campeonato Brasileiro e o Torneio Touchdown, para as equipes masculinas e o Torneio End Zone, para as equipes femininas.

LEIA MAIS
Futebol americano com sotaque nordestino: conheça o Recife Mariners

Sim, no Brasil, mulheres também jogam futebol americano. Com ombreiras, capacete e todo aquele empurra-empurra. Não, não estamos falando do esporte no formato do Lingerie Bowl (categoria praticada nos EUA, onde as mulheres jogam vestindo apenas lingerie), mas sim do futebol americano em um formato idêntico ao aplicado nos jogos universitários dos EUA.

No Brasil, a Liga Feminina de Futebol Americano (LIFEFA) foi criada em janeiro deste ano, mudando por completo o cenário do futebol americano feminino no país com o lançamento do Torneio End Zone – primeiro torneio nacional de futebol americano feminino. O End Zone vem correndo desde maio, e a final será no Rio de Janeiro, dia 30 de novembro, entre as equipes Cariocas FA e Cuiabá Angels.

Elas com Elas

Apesar da LIFEFA ter sido lançada recentemente, o futebol americano começou a cair no gosto das brasileiras bem antes disso. A equipe pioneira é o Cuiabá Angels, formada em 2007, e não muito distante disso, o Confiança Alfa possui atletas com mais de quatro anos de experiência na modalidade.

Nesse período, um dos maiores obstáculos enfrentados pelas atletas tem sido o fator cultural. Tanto a questão da entrada da bola oval no país do futebol, como a questão do preconceito por ser um esporte em que a maior visibilidade é na modalidade masculina, e ainda, por serem mulheres praticando um esporte de contato. “Desde a idealização da LIFEFA e do Torneio End Zone, sabíamos o quão difícil seria. Tínhamos conhecimento de poucos times femininos, mas o primeiro passo tinha de ser dado”, afirmou a presidenta da LIFEFA, Marcelle Eloy.

A paixão pelo esporte e o desejo de superar toda a discriminação enfrentada pelas atletas foi o combustível para consolidar a Liga, que veio com o intuito de unir forças, através de pessoas e entidades, no sentido de promover o futebol americano feminino no país.

O End Zone tem sido um estímulo maior para aquelas que são fãs do esporte, despertando o desejo de também fazer parte da competição. Um reflexo disso é o surgimento de novas equipes que vem treinando com o interesse de jogar em 2015, como é o caso do Maceió Harpias, Brasília Calangas, Guardian Angels e Corinthians Steamrollers.

“Desde que a LIFEFA foi lançada minhas esperanças triplicaram em relação à evolução do futebol americano feminino no Brasil. Desde então, conheci algumas equipes femininas pela internet que nem imaginava que existiam”, disse Amanda Rodrigues, de Jaraguá do Sul (SC), que completa: “eu sempre quis jogar. E ainda quero. O problema é que aqui na região que eu moro ainda não há time. Quem sabe em um projeto futuro”.

No Mundo

Pelo mundo a fora o futebol americano já é praticado por mulheres de forma profissional, a exemplo de Finlândia, Canadá, Alemanha, Suécia, Espanha, além, é claro, dos EUA, que participaram da Copa do Mundo de Futebol Americano Feminino, realizada ano passado, na Suécia. Os EUA é a atual bicampeão mundial (2010 e 2013).

Foto: Arquivo/Confiança Alfa