O drama de 4 grandes clubes do Campeonato Alemão

Campeonato Alemão

Um desavisado que olhar a classificação da do Campeonato Alemão da temporada 2014/15 pela primeira vez, certamente tomará um susto com os últimos quatro colocados: Stuttgart (18ª) e último lugar, Werder Bremen (17º), Borussia Dortmund (16º) e Hamburgo (15º).

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Afinal, as quatro equipes estão entre as oito mais vitoriosas da história do futebol alemão e, juntas, somam 23 títulos nacionais, sendo oito do Borussia, seis do Hamburgo, cinco do Stuttgart e quatro do Werder Bremen, o que, em tese, as gabaritaria a ocupar as primeiras posições, ao lado do Bayern de Munique. A história, no entanto, não é bem assim.

Dos quatro, apenas surpreende a situação do Borussia Dortmund, atual 16º colocado e que hoje, para permanecer na primeira divisão, teria que disputar duas partidas contra o terceiro colocado da 2. Bundesliga, ou seja, a segunda divisão do futebol alemão.

A surpresa com a campanha dos aurinegros é perfeitamente justificável. Nas duas últimas temporadas eles foram vice-campeões, ficando atrás do Bayern. Além disso, o Borussia conquistou o bicampeonato da Bundesliga nas temporadas 2010/11 e 2011/12. O bom trabalho em âmbito nacional, também rendeu frutos nas competições europeias, tanto que o Dortmund chegou à final da Liga dos Campeões da temporada 2012/2013, que foi vencida pelo rival Bayern de Munique.

Portanto, o sucesso recente do Borussia não permitia pensar que eles teriam uma campanha tão decepcionante na 1. Bundesliga, com apenas 11 pontos conquistados em 12 rodadas.

O mau início dos aurinegros, contudo, parece ser temporário, pois eles possuem elenco e talento suficientes para sair do fundo da tabela e terminar a temporada perto dos líderes. Inclusive, o desempenho do Borussia Dortmund na Liga dos Campeões – competição na qual lidera o Grupo D com 12 pontos e que lhe garantiu a classificação antecipada às oitavas de final – é a comprovação da capacidade de a equipe se recuperar na 1. Bundesliga.

A situação de Hamburgo, Werder Bremen e Stuttgart, por outro lado, não poder ser considerada uma completa surpresa.

Comecemos pelo Hamburgo, 15º colocado e primeiro time fora da zona de rebaixamento. Os dinossauros – apelido conquistado pelo fato de ser o único time que jamais foi relegado à segunda divisão – flertam com o rebaixamento desde a temporada 2011/12, quando terminaram a 1. Bundesliga na próprio 15ª posição. E, apesar de uma recuperação na temporada 2012/13, no qual ficaram no 7º lugar, na temporada passada o time voltou a brigar no fundo da tabela, tanto que finalizou o campeonato na 16ª posição e somente garantiu sua permanência na primeira divisão após vencer o playoff contra o Greuther Furth, terceiro colocado da 2. Bundesliga.

Ou seja, a má performance do Hamburgo na atual temporada é apenas fruto do fraco trabalho que sua diretoria vem realizando nos últimos anos, tornando cada vez mais improvável que o clube retome o sucesso das décadas de 70 e 80, quando conquistou três dos seus seis títulos alemães, além de ter vencido a UEFA Champions League em 1982/83.

Apesar da considerável melhora da equipe após a troca de Mirko Slomka por Josef Zinnbauer, técnico responsável pelas três vitórias do Hamburgo na competição, o futebol apresentado até o momento credencia os dinossauros a lutarem contra o rebaixamento até as últimas rodadas.

O Werder Bremen, campeão alemão da temporada 2003/04 e atual 17º colocado, é outro clube de expressão que vem ocupando nas últimas temporadas posições intermediárias na tabela de classificação.

Depois da temporada 2009/10, na qual terminou em 3º lugar, o Werder Bremen somente terminou entre os 10 primeiros na temporada 2011/12, quando finalizou a competição em nono. Nas demais, a equipe ficou em 13º (2010/11), 14º (2012/13) e 12º (2013/14).

A atual campanha, bem abaixo das tradições da equipe de Bremen, retrata a péssima administração esportiva que vem sendo feita no clube e, assim como o Hamburgo, o futebol da equipe indica que a temporada será de muita luta contra o descenso.

Por fim, falemos do Stuttgart, 18º e último colocado. O ganhador da 1. Bundesliga na temporada 2006/2007, a partir da temporada 2009/2010, quando terminou em 6º lugar, passou a ser uma equipe extremamente irregular.

Na temporada 2010/11, o Stuttgart conquistou um modesto 12º lugar. Na seguinte, o clube voltou ao 6º posto, caindo novamente para o 12º na temporada 2012/2013, para, então, despencar à 15ª colocação na temporada 2013/14.

A inconstância do Stuttgart e a consequente queda de rendimento nas últimas duas temporadas mostram que o clube tem errado na montagem do elenco e nos treinadores escolhidos para conduzir o processo de reconstrução da equipe, tanto que, nos últimos 6 anos, foram contratados 7 treinadores diferentes.

O elenco fraco, as péssimas atuações e a falta de rumo da direção praticamente definiram o papel do Stuttgart na edição desta 1. Bundesliga: brigar contra o rebaixamento até o final da temporada, sendo, no momento, o favorito ao descenso.

Com exceção do Borussia Dortmund, cuja atual situação não é fruto de uma má gestão e cuja equipe reúne condições de sair da incômoda zona da degola, a crise vivida por Hamburgo, Werder Bremen e Stuttgart é causada pela incompetência de seus dirigentes, que foram responsáveis pela construção de elencos fracos e abaixo das tradições dos clubes, fazendo com que eles se limitem a, provavelmente, lutar contra o rebaixamento à 2. Bundesliga.

Foto: Getty Images



Suposto entendido, analista e comentarista. Porém, simplesmente apaixonado pelo esporte mais popular e fascinante do planeta: o futebol!