Opinião: Atlético-MG é o melhor campeão da história da Copa do Brasil

O Atlético-MG impediu a tríplice coroa do maior rival, venceu as duas partidas da decisão contra o Cruzeiro jogando no Independência e no Mineirão, terminou o ano sem perder nenhum duelo contra a Raposa e é campeão da Copa do Brasil. O time que ganhou o torneio nesta quarta-feira (26) não é tecnicamente o melhor entre os que faturaram este troféu, mas o Galo, pela campanha e pelas doses fortes de emoção, se tornou o melhor campeão da história da competição.

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A CBF, que costuma errar 99% do que faz, acertou em cheio ao devolver os clubes da Libertadores à Copa do Brasil. O futebol brasileiro perdeu, entre 2000 e 2012, a chance de ver alguns de seus maiores clubes e melhores elencos com jogos tão vibrantes quanto os vistos no torneio de 2014. O Atlético-MG é um dos times que não teriam participado pelo regulamento antigo, quando a competição era disputada apenas no primeiro semestre, em paralelo ao torneio continental.

O Galo não economizou na emoção, na angústia, na superação, na raça. As vitórias por 4 a 1 sobre Corinthians e Flamengo, com parciais idênticas, depois de perder o primeiro jogo fora de casa por 2 a 0 e sofrer um gol na partida de volta em casa, mostram por si só que o Atlético-MG merecia ser campeão sem nem precisar enfrentar o Cruzeiro.

Mas, enfrentar o atual bicampeão brasileiro e arquirrival era a cereja do bolo atleticano. A Copa do Brasil teve a honra de ver o clássico mineiro decidindo seu troféu. E só deu Galo. No Horto, o time da Massa dominou o jogo e construiu uma vantagem sólida – sólida, para os outros, pois foi justamente essa que o Atlético virou duas vezes esse ano.

Quando eu digo que o Galo não teve o melhor time entre os que já foram campeões da Copa do Brasil, não há contradição nenhuma com o fato de afirmar que o Atlético-MG é o melhor campeão que o torneio já teve. O time mineiro apresentou todos os fatores que fazem um campeão em uma competição exclusivamente formada por mata-matas.

Pegou o Palmeiras, um time claramente inferior, e não deu chances, vencendo os dois jogos e despachando o mais fraco de seus adversários. Enfrentou o Corinthians, não jogou bem diante da torcida rival na Arena nova do clube, teve um pequeno apagão no começo do jogo de volta, mas contou com a torcida para buscar os quatro gols, uma missão que parecia impossível.

Aliás, se a conquista da Copa do Brasil fosse uma “empresa”, a torcida do Atlético-MG teria pelo menos 50% das ações. Foi impressionante o quanto a massa atleticana gritou, apoiou, incentivou, em momentos em que o Galo tinha que lidar com desvantagens enormes, jogando em casa. Um abalo nos gols que Corinthians e Flamengo marcaram no Mineirão e tudo estaria perdido.

Dentro de campo, a raça foi espetacular. Aliando os grandes nomes do elenco, como Diego Tardelli, Marcos Rocha, Victor, Luan e Leonardo Silva, às boas novas que o clube trouxe nesta temporada, como Carlos, o Atlético-MG teve um time fechado, concentrado, focado. Méritos totais para o técnico Levir Culpi, que conquistou sua segunda Copa do Brasil na carreira.

Embora ainda não estejam fechadas as cinco vagas brasileiras na Libertadores, é possível dizer que a força demonstrada pelo Galo no Brasileirão, onde lutou pelo G-4 durante toda a competição em formato de pontos corridos, mais a arte de disputar um mata-mata, reinventada pelo clube mineiro em 2014 na Copa do Brasil, fazem com que o Atlético seja um dos mais fortes concorrentes ao título da Libertadores no ano que vem. É cedo para falar, muita coisa irá mudar, mas os times de MG saem na frente. De novo.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.